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EDUCAÇÃO

Crianças fiscalizam obras e aprendem sobre dinheiro público em evento do TCDF

Projeto premiado usa atividades lúdicas para ensinar sobre impostos e o papel do controle social a 160 estudantes da rede pública do DF

Cerca de 160 estudantes da rede pública do Distrito Federal aprenderam como o dinheiro público é arrecadado e fiscalizado de forma prática. No projeto TCendo o Futuro, realizado nos dias 20 e 21 de agosto, eles simularam desde a decisão de construir uma escola até o julgamento de irregularidades em uma obra.

A iniciativa, promovida pela Escola de Contas Públicas do Tribunal de Contas do Distrito Federal (Escon) em parceria com a Secretaria de Educação, combinou brincadeiras e atividades interativas. O objetivo foi ensinar como os impostos financiam políticas públicas e a importância da fiscalização para a qualidade dos serviços.

A metodologia transforma os alunos em protagonistas. Em vez de aulas tradicionais, eles participam de uma sequência de atividades em que experimentam conceitos como cidadania e orçamento público. O conhecimento é construído a partir da experiência vivida durante a visita ao tribunal.

Participaram do evento estudantes da Escola Classe 1 do Guará, Escola Classe 8 de Taguatinga, Escola Pública Integral Bilíngue Libras e Português Escrito, Escola Classe Vila do Residencial Carlos Gilberto, Escola Classe 403 Norte e Escola Classe 708 Norte. A maioria cursava o 5º ano do ensino fundamental.

Em uma conversa, o conselheiro Renato Rainha, regente da Escon, explicou a função do TCDF a um aluno. “Uma parte do salário do seu pai e da sua mãe vai para o cofre do governo. A nossa função é fiscalizar para que esses recursos sejam utilizados com honestidade e competência e resultem em serviços públicos de qualidade”, disse.

Aprender brincando

Uma das dinâmicas ajudou os estudantes a entender a arrecadação de impostos. Cada um recebeu um dinheiro cenográfico para comprar o lanche. A cédula tinha uma parte destacável, que representava os tributos e era depositada em um cofre, simulando a arrecadação do governo.

João Augusto Balbino, da EC 1 do Guará, destacou o aprendizado. "Eu aprendi que uma parte do dinheiro que as pessoas pagam em impostos volta para a população em forma de escolas, hospitais, postos de saúde e transporte", afirmou.

A diretora da Escon, Ivana Dessen, ressaltou que o projeto traduz conceitos complexos para a realidade das crianças. "Quando entregamos o dinheiro fictício para que comprem o lanche, mostramos na prática que uma parte desse valor representa os impostos", explicou.

A principal atividade foi uma simulação completa das etapas de uma obra pública. Divididos em grupos, os alunos assumiram papéis de gestores, auditores e conselheiros. Primeiro, usaram um mapa do DF para decidir onde construir uma escola fictícia. Depois, definiram quais estruturas fariam parte do projeto, como biblioteca e quadra esportiva.

Na etapa seguinte, atuaram como auditores, comparando imagens do projeto original com a obra executada para identificar problemas. Cada grupo elaborou um "relatório de auditoria", que foi discutido em um "Plenarinho", uma simulação de sessão de julgamento do TCDF, onde decidiram as providências para corrigir as falhas.

Projeto premiado

Em junho de 2026, o TCendo o Futuro conquistou o primeiro lugar na categoria Fiscalização do 11º Prêmio Abel. A premiação reconhece iniciativas de educação para a cidadania. O projeto piloto foi lançado em 2024 e passou a ser realizado regularmente em 2025.

Roberto Lamari, presidente da Associação Brasileira das Escolas do Legislativo e de Contas (Abel), afirmou que a premiação valoriza ações com impacto na sociedade. "É muito diferente a gente ver um Tribunal de Contas chegar até crianças e fazer um ensino para elas da educação financeira. Isso é uma ideia bastante inovadora”, explicou.

A programação também incluiu visitas a espaços como a Biblioteca e o Memorial do TCDF. Ao final, os alunos receberam materiais educativos, incluindo um gibi temático chamado “TCendo o Futuro: TCzinha e os Guardiões da Cidadania”.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.