concurso CBMDF

Após denúncias, MPDFT pede suspensão da barra dinâmica no concurso do CBMDF

Candidatas que disputam vagas no certame afirmam que as alterações tornaram o processo seletivo mais difícil para o público feminino

Raphaela Peixoto
postado em 10/03/2026 08:48
Corpo de Bombeiros também tem 10 dias para responder formalmente à recomendação do Ministério Público -  (crédito: Reprodução)
Corpo de Bombeiros também tem 10 dias para responder formalmente à recomendação do Ministério Público - (crédito: Reprodução)

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) recomendou que o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) suspenda a exigência da barra dinâmica para mulheres no Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso para soldado operacional da corporação. A medida foi tomada após denúncias de candidatas que apontam possível desigualdade nas regras do edital.

A recomendação se baseia em dados de concursos anteriores, nos quais a exigência desse exercício resultou na reprovação de 89,5% das mulheres, enquanto menos de 2% dos homens foram eliminados pela mesma prova. Segundo o MPDFT, os números indicam um possível impacto desproporcional da exigência sobre as candidatas.

O órgão também considerou relatos de participantes do concurso que apontam mudanças recentes no edital, como a substituição da barra isométrica (estática) pela barra dinâmica para mulheres e alterações em outros índices do teste físico.

Candidatas que disputam vagas no certame afirmam que as alterações tornaram o processo seletivo mais difícil para o público feminino. Uma delas é a candidata Júlia Cardoso, de 26 anos. Ao Correio, ela disse que além das mudanças nos exercícios, o teste físico passou a ter caráter classificatório, e não apenas eliminatório, o que pode influenciar diretamente a posição final dos concorrentes. “Nós tivemos que sair do zero e ainda tentar pontuar mais que os homens, o que é totalmente injusto”, afirma. 

De acordo com a candidata, enquanto as exigências para mulheres aumentaram — com mudanças na barra e acréscimo de 400 metros na corrida — alguns índices para homens foram reduzidos. No edital anterior, o mínimo exigido na barra masculina era de oito repetições; no atual, passou para seis.

As candidatas também relatam ter enfrentado hostilidade nas redes sociais após tornarem públicas as críticas ao edital. Júlia afirma que recebeu comentários misóginos e ataques de usuários que questionaram a presença de mulheres na carreira. “Recebemos comentários de homens desejando que a gente quebre o pé e que não consiga realizar o teste. Ouvimos que ‘mulher não tem que ser aceita nesse ambiente’”, relata.

Outro ponto levantado pelas candidatas é que bombeiras que já fazem parte da corporação podem escolher entre a barra dinâmica e a isométrica em avaliações físicas periódicas. Elas questionam por que essa alternativa não estaria disponível para quem participa do concurso.

O Corpo de Bombeiros também tem 10 dias para responder formalmente à recomendação do Ministério Público. Enquanto aguardam um desfecho, candidatas afirmam seguir na preparação para o teste físico e na mobilização por mudanças nas regras do concurso. O Correio procurou a corporação para que ela comentasse a decisão, mas até o momento da publicação da matéria, não obteve resposta. 

Além da recomendação do MPDFT, o edital também é alvo de uma Ação Popular apresentada pelos deputados federais Érika Kokay e Marivaldo de Castro Pereira. O juiz Carlos Fernando Fecchio dos Santos, da 1ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal, determinou prazo de 72 horas,  começou a ser contado a partir do dia 5 de março,  para que o comando do CBMDF se manifeste sobre as supostas irregularidades apontadas.

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