A prova do concurso da Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF), realizada neste domingo (6/9), foi marcada principalmente pela disputa contra o relógio. Embora professores tenham avaliado que a avaliação ficou dentro do esperado em termos de conteúdo, a extensão dos enunciados e a quantidade de exigências na prova discursiva aumentaram a pressão sobre os candidatos.
O concurso oferece 4.788 vagas, sendo 1.197 para contratação imediata e 3.591 para cadastro reserva. As oportunidades são para os cargos de técnico em assistência social, de nível médio, e especialista em assistência social, de nível superior. Ao todo, foram registradas 210.011 inscrições.
Para Júlia Branco, professora do Estratégia Concursos, a avaliação foi bem construída e não deve provocar grandes discussões sobre questões ambíguas ou possíveis erros de gabarito. Para ela, porém, o controle do tempo foi um dos principais obstáculos enfrentados pelos candidatos. “A maior dificuldade para os candidatos foi a prova discursiva", destacou.
Segundo a professora, o formato de estudo de caso exigiu que os participantes dominassem conhecimentos técnicos específicos e conseguissem aplicá-los à situação apresentada pela banca. A resposta tinha limite de 30 linhas, enquanto o enunciado cobrava diversos pontos. “O maior desafio foi conseguir expressar objetivamente os conhecimentos necessários em pouco tempo e espaço de resposta”, explicou.
Discursiva pode definir aprovados
A avaliação sobre a prova objetiva, no entanto, não foi unânime entre os especialistas. Carla Abreu, coordenadora da área de concursos de Educação do Estratégia Concursos, considerou que a avaliação ficou abaixo do nível de complexidade esperado para um concurso desse porte.
Na avaliação dela, a banca privilegiou questões mais literais e de memorização, em vez de cobrar situações práticas e capacidade de análise. “A prova não foi propriamente ‘difícil’ no sentido conceitual, mas foi desgastante", reforçou.
Carla cita como exemplo a parte de legislação educacional, na qual, segundo ela, houve cobrança direta de trechos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e da Constituição Federal, com menos espaço para questões baseadas em situações concretas de trabalho.
Para a coordenadora, esse perfil pode aumentar a nota de corte, já que uma prova objetiva menos complexa tende a aproximar as pontuações dos candidatos. “O diferencial da aprovação será a prova discursiva”, afirmou.
Júlia também considera possível que a etapa discursiva tenha peso importante na definição dos candidatos que ficarão dentro das vagas imediatas. Segundo ela, algumas provas de conhecimentos específicos apresentaram nível considerado tranquilo, o que pode elevar as notas dos primeiros colocados. “Pode ser que a decisão de fato de quem entrará dentro das vagas imediatas vá ser definida pela discursiva, caso as notas objetivas fiquem extremamente próximas entre os candidatos mais bem classificados”, avaliou.
Além da extensão dos enunciados, o cansaço ao longo da avaliação foi apontado como outro fator de dificuldade. Os candidatos precisaram dividir o tempo entre as questões objetivas e a elaboração do estudo de caso.
Candidata considera prova justa, mas critica organização
Entre os participantes, a percepção também variou. A assistente social Ana Luisa Sousa, de 25 anos, considerou a prova adequada para o concurso e avaliou positivamente as questões direcionadas à área dela. “Foi uma prova justa”, afirmou.
Para Ana Luisa, o tema da redação também foi um dos pontos positivos da avaliação. Segundo ela, o assunto abordado tinha relação com problemas enfrentados atualmente no Distrito Federal. “O tema da Redação foi atual e tem relação com as problemáticas que o DF enfrenta”, disse.
A candidata, porém, relatou problemas relacionados à fiscalização durante a aplicação. De acordo com ela, houve situações de candidatos com celular ligado dentro da sala e dificuldades dos fiscais para orientar os participantes sobre as regras da prova.
Concurso está entre os mais concorridos do DF
A seleção tem remuneração inicial de R$ 4.762,97 para técnicos e de R$ 6.693,38 para especialistas. A jornada prevista é de 30 horas semanais, e a lotação será exclusivamente em Brasília.
O cargo de técnico exige ensino médio completo. Já a função de especialista é destinada a profissionais com formação superior nas áreas previstas no edital, incluindo serviço social, psicologia, pedagogia, terapia ocupacional e direito.
Os aprovados poderão trabalhar em unidades da rede socioassistencial do DF, como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e unidades de acolhimento.
Segundo Júlia, outro ponto que chamou atenção durante a preparação foi a presença de candidatos de fora do Distrito Federal. Ela relatou ter recebido contato de diversos alunos de outros estados interessados na seleção. Com mais de 210 mil inscritos, o concurso está entre os processos seletivos mais disputados do Distrito Federal em 2026.
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