USP

Diretora da faculdade de Medicina da USP compara greve estudantil ao Holocausto e se retrata

Eloisa garantiu que não teve intenção de comparar diretamente os contextos, mas refletir sobre a importância da memória e respeito no ambiente acadêmico

Agência Estado
postado em 22/03/2024 21:01 / atualizado em 22/03/2024 21:01
A declaração que gerou o pedido de desculpas foi dada em uma reunião com os representantes da greve na última segunda-feira -  (crédito:  Roberto Navarro/Sociedade Paulista de Reumatologia                  )
A declaração que gerou o pedido de desculpas foi dada em uma reunião com os representantes da greve na última segunda-feira - (crédito: Roberto Navarro/Sociedade Paulista de Reumatologia )

A professora Eloisa Bonfá, diretora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), se retratou após comparar uma greve estudantil realizada pelos estudantes ao Holocausto. Em nota divulgada no site da Instituição, a diretora afirma reconhecer a necessidade de esclarecimentos.

"Quero enfatizar que, ao mencionar eventos históricos de grande dor e sofrimento, como o Holocausto, em comparação com as ações tomadas durante a greve estudantil, fiz uma escolha de palavras inadequada e retifico minhas palavras", diz.

Eloisa garantiu que não teve intenção de comparar diretamente os contextos mas refletir sobre a importância da memória e respeito no ambiente acadêmico, "enfatizando que comportamentos marcados por desrespeito e agressividade devem ficar registrados para que não mais se repitam".

A declaração que gerou o pedido de desculpas foi dada em uma reunião com os representantes da greve na última segunda-feira, 18. Os estudantes reivindicam, entre outros pontos, revisão de prova de residência, que sofreu reformulação e não conta mais com provas práticas, e manutenção do subsídio de alimentação. O encontro estava sendo gravado e transmitido; no recorte compartilhado entre os alunos, Eloisa liga a colagem de cartazes na greve à memória do holocausto.

"Isso aqui vai ficar para a história dessa faculdade, é igual ao Holocausto, tu não pode deixar isso nunca mais acontecer", disse a diretora na reunião.

Na ocasião, o Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, entidade dos estudantes da Faculdade de Medicina, emitiu nota exigindo um pronunciamento e pedido de desculpas público com relação à fala. "Além disso, é crucial que a instituição se comprometa a promover um diálogo construtivo e respeitoso com os estudantes, buscando soluções para as questões levantadas e evitando comparações insensíveis e ofensivas no futuro", diz a publicação.

A diretora finaliza a retratação alegando acreditar na capacidade de resolução de conflitos através de diálogos abertos, compreensão e respeito pelas diferentes perspectivas, se comprometendo a "promover esses valores e a trabalhar incansavelmente para que nosso ambiente acadêmico seja um espaço de crescimento, aprendizado e respeito mútuo".

Eloísa Bonfá é a primeira mulher a assumir a diretoria da Faculdade de Medicina da USP e está em exercício de 2022 a 2026.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação