O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram, nesta quarta-feira (20/5), novos dados e diretrizes sobre o Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). Para o Sindicato de Estabelecimentos de Ensino Comercial no Estado de São Paulo (Semesp), os números revelam que a formação de professores enfrenta barreiras “estruturais”.
Conforme a entidade, estudantes que chegam à graduação com melhor formação escolar tendem a ter desempenho mais alto no Enade. Essa vantagem estaria ligada a fatores socioeconômicos e estruturais. “A qualidade da formação no ensino superior está relacionada a múltiplos fatores, entre eles o perfil socioeconômico dos estudantes, as profundas desigualdades regionais e educacionais do país e as deficiências acumuladas ao longo da educação básica. A comparação entre o desempenho no Enade 2025 e as notas do Enem de 2021 evidencia uma relação direta entre os indicadores. Estudantes com melhores desempenhos no Enem tendem a alcançar melhores conceitos no Enade, enquanto menores médias no Enem estão associadas a conceitos mais baixos no exame de avaliação do ensino superior”, afirma.
O sindicato argumenta que o baixo indicativo é um problema que afeta tanto universidades privadas quanto públicas. “Os dados do Enade mostram que o desafio da qualidade na formação docente não está restrito a um único segmento. Mesmo entre as instituições públicas, cerca de 40% das licenciaturas obtiveram conceitos 1 e 2 no Enade, o que demonstra que o debate precisa ser conduzido de forma ampla e responsável, evitando análises superficiais e buscando soluções estruturais para todo o sistema de ensino superior no Brasil, com atenção para os impactos operacionais e regulatórios para as instituições públicas e privadas”, afirma o sindicato.
Para a entidade, a análise dos resultados deve considerar também a evolução do aluno durante o curso, e não apenas sua nota final no exame de forma isolada. “Causa preocupação a divulgação dos resultados do Enade de forma dissociada do IDD (Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado), calculado pelo Inep. Avaliar apenas o desempenho final dos estudantes, sem considerar as condições de ingresso e o quanto o aluno evoluiu ao longo do curso, pode produzir análises distorcidas e injustas sobre a efetiva contribuição das instituições para a formação docente.”
“O momento exige maturidade institucional e cooperação entre governo, órgãos reguladores e instituições de ensino. O país precisa avançar na construção de políticas públicas para a formação de professores, no fortalecimento dos processos de avaliação e no aperfeiçoamento do modelo de oferta educacional, preservando o acesso conquistado nas últimas décadas, mas elevando continuamente os padrões de qualidade acadêmica”, finaliza.
Estagiário sob a supervisão de Ana Sá*
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