Lucas Lima, 21 anos, começou a trajetória profissional como jovem aprendiz, por meio de uma vaga que encontrou em uma rede social. Após um ano e seis meses de contrato, foi efetivado. Hoje, acumula dois anos de experiência no setor de controladoria de uma rede de hotéis em Brasília. Para ele, o curso profissionalizante foi o elo entre o conhecimento teórico e a prática profissional. "Forneceu-me uma boa base e permitiu praticá-la para que fosse bem enraizada no executar do trabalho. Pude mostrar, cada vez mais, o meu potencial", afirma. Hoje, ele diz que "Os jovens precisam de um emprego para conseguir experiência, mas precisam de experiência para conseguir o primeiro emprego".
A história de Aissa Gabrielle, 23 anos, converge com a de Lucas. Antes de chegar à área administrativa, trabalhou como atendente em shopping e sorveteria. Experiência profissional, portanto, não faltava. O que ela não conseguia era uma oportunidade na área em que pretendia trabalhar. "A falta de experiência e de curso profissionalizante sempre me desclassificava", conta.
A situação mudou depois que Aissa concluiu um curso de quatro meses de auxiliar administrativo. Na sequência, ingressou no programa Jovem Aprendiz, foi efetivada e, três anos depois, trabalha com Recursos Humanos e Departamento Pessoal em um centro universitário. Nesse período, também iniciou uma graduação na área.
No Distrito Federal, dados da Pesquisa Nacional de Acompanhamento dos Egressos do Senac-DF (Pnaes 2025) ajudam a dimensionar esse movimento. Segundo o levantamento, 61,8% dos concluintes dos cursos técnicos estão ocupados. Entre os que trabalham, 76,4% estão em situação formal, considerando empregados com carteira assinada e contribuintes da Previdência Social. O estudo mostra, ainda, que 74,6% dos egressos que conseguiram emprego atuam em áreas relacionadas ao curso realizado.
A proximidade entre formação e emprego aparece também nos indicadores de inserção profissional. Entre os cursos desenhados para preparar diretamente para uma ocupação — como habilitações técnicas, graduação e qualificações profissionais —, a taxa nacional de inserção chegou a 71,7%. Na Aprendizagem Profissional, modalidade voltada principalmente aos jovens e que combina formação teórica e experiência prática, o índice alcançou 85,9%.
O efeito é ainda mais expressivo entre aqueles que estavam fora do mercado. Dos egressos que começaram o curso desempregados, 140.763 conseguiram ingressar no mundo do trabalho durante ou depois da formação. Entre os que já tinham uma ocupação, outros 115.085 avançaram na carreira ou conseguiram se manter empregados, agora com novas competências.
O impacto da formação não se resume à conquista de uma vaga. Há também reflexos na renda. Entre os estudantes que buscavam uma formação com finalidade profissional, 23,7% relataram aumento do salário ou da renda familiar depois da conclusão do curso. Para 11,7%, a formação foi associada à primeira assinatura da carteira de trabalho.
Segundo Vitor Corrêa, diretor regional do Senac-DF, os resultados indicam um nível de inserção profissional acima da média nacional. No programa Jovem Aprendiz, o índice é ainda mais elevado. "De cada 100 alunos, 91 estão inseridos no mercado de trabalho após seis meses da conclusão do curso", afirma.
Trabalho & Formação
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