Reflorestamento

Startup usa drones para plantar 1 bilhão de árvores até 2028; Brasil está nos planos

Em combate ao desmatamento, a Flash Forest usa tecnologia para acelerar o plantio em áreas devastadas; entenda como funciona o projeto canadense de reflorestamento

Aline Rossi*
postado em 25/06/2021 14:51
 (crédito: Flash Forest / Reprodução / Instagram)
(crédito: Flash Forest / Reprodução / Instagram)

A Startup Flash Forest, com sede em Toronto, no Canadá, utiliza drones para sobrevoar áreas desmatadas e replantar árvores com 10 vezes mais velocidade do que humanos e com custo cinco vezes menor. Com a tecnologia, eles espalharam 300 mil sementes pelo país nos últimos dois meses e têm a meta de plantar 1 bilhão de árvores até 2028.

A Flash Forest foi fundada em dezembro de 2019 pelo CEO Bryce Jones, e os co-fundadores Cameron Jones e Angelique Ahlstrom. Com uma arrecadação de fundos no início do projeto, a startup conseguiu mais de 100 mil dólares para modificar drones industriais e transformá-los em drones plantadores de árvores.

Além disso, o grupo desenvolveu cápsulas com sementes revestidas de materiais necessários para os primeiros nove meses de crescimento das plantas: “É uma mistura de solo com pH e teor de umidade corretos, nutrientes, fungos e micorrizas. Isso ajuda as sementes a germinar e criar raízes rapidamente”, contou o CEO em uma entrevista à Okanagan Edge.

Assim, os drones sobrevoam áreas devastadas e detectam os melhores locais para o plantio de árvores. Eles conseguem atirar, com disparo automático, uma cápsula por segundo no solo, que implanta sementes de diversas espécies para a germinação adequada.

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Desmatamento mais rápido que reflorestamento 

O grupo de fundadores afirma que o principal problema que tentam resolver é o desmatamento, que ocorre com mais velocidade no mundo do que o reflorestamento de árvores. De acordo com o site da startup, os humanos derrubam 13 bilhões de árvores por ano e repõem menos da metade disso.

“Houve uma perda de biodiversidade de 60 por cento nos últimos 50 anos. No momento, também há apenas 15 por cento das florestas originais do mundo que ainda estão intactas. Além disso, o Painel Intergovernamental sobre o Clima recomenda o plantio de um bilhão de hectares de árvores para combater as mudanças climáticas”, comenta Ahlstrom à Victoria News.

“E apesar dos esforços de regeneração, ainda vemos uma perda de sete bilhões de árvores a cada ano. É por isso que é muito importante que façamos isso rapidamente”, acrescenta. Jones reforça a ideia de que reflorestar manualmente exige tempo e esforço: “Quero enfatizar que o reflorestamento não usa tecnologia. São apenas pessoas no chão com sacos e pás. Não houve desenvolvimento tecnológico e avanços nesta área.”

“No entanto, o desmatamento tem tecnologia de ponta onde pode derrubar árvores de forma autônoma e tem sido um desenvolvimento contínuo e uma tecnologia altamente refinada. Então, estamos chegando para trazer a tecnologia para os esforços de regeneração”, afirma o CEO.

Em menos de dois anos, o projeto já reflorestou áreas canadenses de Barrie, Elk Lake, Malcon Knapp, Alex Fraser, Vancouver, Nanoose Bay, Port Alberni, Port Renfrew, Prince George, Fort McMurray e Englehart.

Projeto pode vir para o Brasil! 

De acordo com Jones, o objetivo é expandir o projeto para o mundo, incluindo o Brasil: “Temos nossos objetivos definidos internacionalmente. Queremos levar nossa tecnologia a seis continentes e a todos os biomas que precisam de reflorestamento. No momento, estamos trabalhando em estreita colaboração com um botânico no Brasil, superando os obstáculos regulatórios e o sistema ecológico de lá para buscar contratos iniciais na Amazônia e na costa atlântica brasileira em um futuro próximo”, afirmou Jones ainda nos primeiros dias de funcionamento da startup.

No Brasil, o desmatamento na Amazônia bateu recorde em 2021, sendo o maior em 10 anos durante o terceiro mês consecutivo. Na última terça-feira, Ricardo Salles foi exonerado do cargo de Ministro do Meio Ambiente após ser alvo investigações por envolvimento em crimes ambientais, em uma gestão com polêmicas e conflitos.

 

*Estagiária sob supervisão de Lorena Pacheco 

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