
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reagiu fortemente às novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o governo do país vizinho à Venezuela. Em post nas redes sociais, Petro afirmou que a Colômbia se defenderá em caso de invasão, e anunciou estar disposto a "pegar em armas" para enfrentar um eventual ataque norte-americano.
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As ameaças de Trump ao líder colombiano têm ganhado força desde a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no último sábado, em Caracas, pelas forças dos EUA. No domingo à noite, a bordo do Air Force One, Trump ameaçou também outros países da América Latina, como México e Cuba, além de repetir o desejo de anexar a Groenlândia, território que pertence à Dinamarca.
A mensagem de Gustavo Petro, que há meses é acusado sem provas pela Casa Branca de tráfico de drogas, rebateu especificamente uma fala de Trump sobre se os EUA fariam na Colômbia uma operação militar semelhante à realizada na Venezuela. A jornalistas a bordo do avião presidencial dos EUA, Trump afirmou que essa opção "soa bem".
Petro, ex-guerrilheiro e ex-militante armado nos anos 1980, disse que não aceita nenhum ataque contra seu país e chegou a anunciar que pegaria em armas caso fosse preciso, algo que havia jurado nunca mais fazer depois do acordo de paz na Colômbia.
O chefe de Estado da Colômbia pediu ainda que o povo do país saia às ruas e tome o poder "em cada município" caso uma invasão estrangeira ocorra. "Tenho enorme fé no meu povo, e é por isso que lhes pedi que defendam o presidente contra qualquer ato ilegítimo de violência. A forma de me defenderem é tomar o poder em cada município do país. A ordem para as forças de segurança não é atirar contra o povo, mas sim contra os invasores", disse o líder colombiano em post no X.
Também na longa publicação que fez, Petro classificou os comentários de Trump como "ameaças ilegítimas" e descreveu o histórico político recente da Colômbia, com um tom nacionalista e em estilo de pronunciamento à nação.
Recado a Rubio
No post, Gustavo Petro ainda se dirigiu diretamente ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que, ecoando o chefe, também tem feito ameaças e acusado o presidente colombiano de tráfico de drogas. Segundo Petro, Rubio tem buscado contato direto com oficiais da Colômbia para o que o Departamento de Estado chama de "cooperação", sem passar pela Presidência, como forma de poder acusar o governo federal colombiano de não cooperar nas operações de combate às drogas.
Petro disse que as acusações de falta de cooperação são falsas, e fruto da ação de políticos colombianos ligados a cartéis, que buscam uma desestabilização do país. Além disso, ele anunciou a demissão de membros de forças policiais que estariam disseminando mentiras sobre a atuação do governo da Colômbia.
O líder colombiano afirmou que Marco Rubio não conhece as leis e o funcionamento do país sul-americano, e que "acredita em mentiras" sobre o combate às drogas na região. Segundo o presidente, novas demissões de oficiais podem ser feitas em caso de traição.
"A partir deste momento, todos os soldados na Colômbia receberam uma ordem: qualquer comandante das Forças Armadas que preferir a bandeira dos EUA à bandeira colombiana será imediatamente destituído da instituição por ordem de todos os soldados e por minha própria ordem", anunciou Petro.
Defesa das acusações
Gustavo Petro ainda aproveitou o post para se defender dos crimes pelos quais é acusado por Trump, como tráfico de drogas. Para o norte-americano, Petro é "um homem doente, que governa um país que está doente, e gosta de fabricar cocaína".
O líder colombiano disse não ter ligação com qualquer crime e que seu governo foi o que mais tomou ações de combate aos grupos narcotraficantes. Ele listou medidas da Presidência contra os cartéis e se defendeu dizendo que "não é ganancioso".
"Não sou ilegítimo, nem traficante de drogas. Meu único bem é a casa da minha família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários são públicos. Ninguém conseguiu provar que gastei mais do que ganho", rebateu Petro.
O líder da Colômbia, o primeiro presidente de esquerda da história do país, tem sido alvo de sanções da Casa Branca desde outubro de 2025. Após a captura de Maduro, Trump recrudesceu os ataques. Antes das ameaças de domingo, o republicano já havia dito, no sábado, que Petro "deveria ficar esperto" e "de olho no próprio traseiro", em tom de aviso sobre possíveis novas ações militares norte-americanas.
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Groenlândia reage a Trump: "Já chega!"
No mesmo voo do Air Force One no qual ameaçou a Colômbia, Donald Trump aproveitou a entrevista coletiva para reavivar a ofensiva verbal contra a Groenlândia, território autônomo que pertence à Dinamarca. Ele reafirmou que pretende anexar o local aos Estados Unidos, alegando, mais uma vez, que isso seria essencial para a "segurança nacional" norte-americana.
Rapidamente, as autoridades, tanto da ilha quanto dinamarquesas, reagiram às declarações. Nas redes sociais, ontem, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielssen, rechaçou as ameaças e disse que elas mostram desrespeito ao direito internacional e ao status do território.
Questionado pela imprensa, Trump afirmou que seu governo faz planos relacionados sobre o espaço groenlandês, região estratégica localizada no Ártico e com grande potencial de recursos minerais. "Vamos nos preocupar com a Groenlândia daqui a uns dois meses (…). Vamos falar sobre a Groenlândia daqui a 20 dias", disse o republicano, que, apesar das ameaças, deu prazos incertos e aparentemente ainda vagos sobre possíveis ações americanas.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, criticou os EUA por criarem atritos com um aliado histórico. A chefe política do Reino da Dinamarca chamou de "absurda" qualquer pretensão da Casa Branca de anexar a ilha.
Nas últimas declarações sobre o assunto, Donald Trump reforçou o componente estratégico que vê no espaço groenlandês, e acusou a Dinamarca de ser incapaz de garantir a "segurança" da ilha. "Precisamos da Groenlândia para garantir a segurança nacional, e a Dinamarca não tem capacidade de fazê-lo", disse o presidente.
Novo cenário e provocações
Desde o início de seu mandato, o republicano tem falado em anexar a Groenlândia, inclusive com uso de força, se necessário. O ataque militar norte-americano na Venezuela, com a captura de Nicolás Maduro e declarações de Trump de que "os EUA vão administrar" o país sul-americano, aumentou o temor de que o presidente dos EUA coloque suas ideias expansionistas em prática também na Europa.
Depois da operação militar na capital venezuelana, uma postagem da esposa do sub-chefe de gabinete da Casa Branca também aumentou a tensão em relação ao futuro do território dinamarquês. Em uma rede social, Katie Miller, mulher de Stephen Miller, postou uma imagem da Groenlândia pintada com as cores da bandeira norte-americana, além da legenda "soon", que pode ser traduzida como "em breve". Para o governo dinamarquês, o post é mais um desrespeito norte-americano.
Destacando a complexidade da situação, a primeira-ministra Mette Frederiksen relembrou o fato de a Dinamarca ser membra da Otan, a aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos. Pelas regras da Otan, quando um aliado é atacado, todos os países respondem e auxiliam na defesa do país agredido. Caso Trump tome alguma ação ilegal de anexação da Groenlândia, no entanto, haveria uma questão paradoxal dentro da aliança, com, nessa hipótese, um membro atacando a soberania de outro.
Trump afirma que "vai acabar pensando em Cuba"
Após o ataque militar que terminou com a captura do venezuelano Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos voltou sua mira para o regime cubano. Apesar de ter declarado que o governo de Havana está "em ruínas" e vai acabar "caindo sozinho" - situação que, segundo Trump, dispensaria a "necessidade" de uma ofensiva militar americana -, o republicano deixou em aberto a possibilidade de alguma interferência de seu governo.
Aos jornalistas a bordo do Air Force One, Donald Trump reforçou sua posição de que "Cuba está afundando" e previu piora acelerada na situação econômica do país caribenho, pois, segundo ele, a ilha não terá mais acesso ao petróleo produzido no país até então comandado por Nicolás Maduro. "Não sei como eles vão conseguir se manter à tona, eles não têm renda. Toda a sua renda vinha da Venezuela, do petróleo venezuelano", declarou Trump.
Mantendo o tom intervencionista, o presidente disse que muitos cubanos "ficarão felizes" com as ações da Casa Branca. As falas de Trump sobre Cuba, desde o ataque à Venezuela, têm oscilado de tom. No sábado, ele disse que o governo da ilha "deveria ter atenção e cuidado", dando a entender que poderia adotar operações militares. Na entrevista no Air Force One, sustentou não "precisar" de atos de guerra.
Havana reage
O governo cubano criticou as ações americanas na Venezuela e seus possíveis desdobramentos em outros países da região. Em comunicado oficial, o presidente Miguel Díaz-Canel chamou a operação dos Estados Unidos de "ataque criminoso".
O governo da ilha confirmou a morte de 32 cubanos, que faziam parte das forças de guarda e defesa de Maduro, no ataque das forças americanas. Esse é o único balanço oficial de um governo sobre mortes até o momento, apesar de jornais americanos, como o The New York Times, já informarem mais de 80 vítimas.
"Nossos compatriotas (...) tombaram, após firme resistência, em combate direto contra os atacantes ou em consequência dos bombardeios às instalações", declarou o governo de Havana. O presidente Díaz-Canel decretou dois dias de luto oficial na ilha em homenagem aos soldados de Cuba que morreram em Caracas.

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