América Latina

"Cuba parece estar à beira do colapso" , alerta especialista

Professor de economia da Universidade de Pittsburgh, o cubano Carmelo Mesa-Lago avalia o impacto do bloqueio dos Estados Unidos e da crise energética à ilha caribenha

Movimento tranquilo em rua da Cidade Velha de Havana, afetada pela grave crise energética  -  (crédito: Adalberto Roque/AFP)
Movimento tranquilo em rua da Cidade Velha de Havana, afetada pela grave crise energética - (crédito: Adalberto Roque/AFP)
Para o cubano Carmelo Mesa-Lago, professor emérito de economia e assuntos da América Latina da Universidad de Pittsburgh (Estados Unidos), o sistema econômico centralmente planejado e a incapacidade das exportações cubanas de financiar as importações; além do embargo imposto pelos Estados Unidos e os impactos da pandemia de covid-19, prejudicaram a ilha caribenha e encolheram o seu Produto Interno Bruto (PIB). "A pobreza aumentou significativamente", afirmou ao Correio. Soma-se a esse cenário o corte no fornecimento de petróleo pela Venezuela, em vigor desde a captura do ditador Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos, em 3 de janeiro passado. 
Cuba está à beira de um colapso econômico? Qual é o impacto das sanções norte-americanas sobre a economia cubana?
Cuba sofreu uma grave crise econômico-social em 1991-1994, chamada "Período Especial em Tempos de Paz". Desde 2019, a ilha enfrenta uma crise ainda pior. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu mais de 15% (em 2025, diminuiu 5%) De acordo com o Anuário Estatístico de 2024, todos os indicadores de produção na agricultura, pecuária, indústria e pesca contraíram, durante esse período (Cuba importa 80% de seus alimentos), e diversos indicadores apresentaram queda, em comparação com 1958 (às vésperas da Revolução). Em meu trabalho Balanço de 62 anos da Embaixada dos EUA em Cuba, de 2024, expus as principais causas da crise atual: o sistema econômico centralmente planejado (economia planificada) e a incapacidade das exportações cubanas de financiar as importações; em seguida, vem o embargo, combinado com a covid-19. A interrupção no fornecimento de petróleo bruto pela Venezuela e pelo México levou a apagões diários, que estão afetando gravemente a produção. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) relatou um sério deficit nutricional. Em resumo, Cuba parece estar à beira do colapso socioeconômico. 
O cubano Carmelo Mesa-Lago, professor de economia da Universidade de Pittsburgh
O cubano Carmelo Mesa-Lago, professor de economia da Universidade de Pittsburgh (foto: Arquivo pessoal )
Quais setores da economia foram mais afetados e como a população sofreu as consequências?
Praticamente todos os setores da economia foram afetados, incluindo o turismo. A população, agora, só consegue fazer uma refeição por dia. A pobreza aumentou significativamente.
Como é possível reverter essa situação?
Em meu livro mais recente, Comparando Sistemas Socialistas: Economia e Proteção Social em Cuba, China e Vietnã (2025), pontuei que o sistema econômico cubano é contrastado com o socialismo de mercado na China e no Vietnã. Comprovei, com estatísticas dos três países, que China e Vietnã  superaram Cuba em praticamente todos os indicadores econômicos e sociais... A forma de reverter a situação é o controle contínuo do Partido Comunista. Mas a liderança cubana rejeitou esse caminho por medo de delegar o controle do Estado.

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postado em 17/02/2026 22:03 / atualizado em 17/02/2026 22:46
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