
Reino Unido e França vão reforçar seus aparatos militares no Chipre, com envio de navios de guerra e helicópteros à ilha mediterrânea, com fins defensivos. Uma base britânica foi alvo de um drone na segunda-feira e duas instalações francesas teriam sofrido danos em decorrência da retaliação de Irã e seus aliados aos ataques dos Estados Unidos e Israel. "Continuamos com nossas operações de defesa (...). O Reino Unido está completamente comprometido com o Chipre e com a segurança dos britânicos baseados lá", escreveu o primeiro-ministro, Keir Starmer, no X. Devido à recusa em atacar Teerã, Starmer foi repreendido três vezes em menos de 24 horas pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
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Em entrevista ao jornal britânico The Sun, Trump afirmou que o relacionamento com o Reino Unido "não é mais o mesmo". Ao Telegraph, o presidente destacou que Starmer demorou para permitir que os Estados Unidos usassem as bases inglesas. Depois, ao lado do chefe do governo alemão, Friedrich Merz, recebido na Casa Branca com elogios, o mandatário voltou a reclamar com os repórteres da recusa de Starmer em ajudar nos ataques ao Irã. O primeiro-ministro teria sido "muito pouco cooperativo com aquela ilha estúpida que eles têm", em referência a Diego Garcia, atol onde funciona uma instalação militar conjunta dos países. "Não estamos lidando com Winston Churchill", provocou.
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Starmer não comentou os ataques de Trump. Ele autorizou o envio de dois helicópteros Wildcat, além do navio de guerra HMS para o Mediterrâneo Oriental. Em nota, o Ministério da Defesa britânico afirmou que os aparatos "reforçarão a defesa contra drones para nossos parceiros ciprotas". Na segunda-feira, o governo cipriota divulgou que a base britânica de Akrotiri, na costa de Limassol, havia sido atacada por um drone iraniano. No mesmo dia, o Reino Unido abateu drones na Jordânia, no Iraque e no Catar, disse a pasta, em comunicado.
França desaprova
Em um discurso à nação transmitido na noite de ontem, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que mandará um porta-aviões e uma fragata para suas duas instalações militares no Chipre. Embora tenha criticado o Irã, o líder afirmou que os ataques israelenses e norte-americanos desafiam o direito internacional, algo que a França não poderia aprovar. Macron, contudo, completou: "No entanto, a história nunca chora por aqueles que massacram seu próprio povo, e ninguém sentirá falta", em referência a Ali Khamenei e a outros representantes do regime de aiatolás mortos durante os ataques.
Nas mesmas declarações contrárias ao primeiro-ministro britânico, o presidente Donald Trump elogiou a França e a Alemanha pelo apoio recebido. Também comemorou a aprovação da ação militar no Irã pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, disse, na segunda-feira, que os bombardeios enfraquecem o programa nuclear iraniano. Em entrevista à emissora belga ARD, porém, Rutte também disse que a Otan não vai entrar na guerra, embora aliados individuais possam se alinhar aos Estados Unidos.
Especialista em normas de direito internacional em relação a guerras, Michael Schmitt, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Reading, no Reino Unido, ressalta que qualquer país que aceite atacar o Irã com Estados Unidos e Israel estará violando a Carta da Organização das Nações Unidas (ONU). "Não há base para a legítima defesa coletiva. Isso é relevante para outros estados envolvidos no conflito. Estados como o Reino Unido estão legalmente impedidos de auxiliar o uso ilegal da força", diz.
Schmitt afirma que, caso o Reino Unido ofertasse suas bases para ataque, como quer Donald Trump, estaria sendo cúmplice. "Permitir que ataques sejam lançados a partir de território ou bases aéreas britânicas tornaria o Reino Unido cúmplice, de acordo com a lei da responsabilidade do Estado", diz. Para Ricardo Caichiolo, professor de direito internacional e diretor do Ibmec Brasília, os ataques norte-americanos e israelenses vão na contramão da diplomacia europeia. "A medida aprofunda a polarização global, tensiona a relação com aliados europeus defensores do multilateralismo e reforça a percepção de que a força bruta voltou a ser o eixo central da gestão de crises no Oriente Médio", argumenta.
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