ORIENTE MÉDIO

Guerra no Oriente Médio se intensifica com novos ataques no Irã

Bombardeios, mísseis e novas ameaças se espalham por diferentes países enquanto Israel anuncia nova fase do conflito contra o Irã

A guerra no Oriente Médio ganhou novos capítulos nesta sexta-feira (06/2) com ataques, explosões e alertas de segurança em diferentes países da região. Israel intensificou bombardeios no Líbano e realizou ataques em larga escala contra alvos no Irã, enquanto Teerã e aliados responderam com mísseis e drones em direção a Israel. A escalada também provocou impactos estratégicos e econômicos, como a suspensão de rotas marítimas e acordos emergenciais de fornecimento de petróleo.

Israel anunciou novos bombardeios contra posições do Hezbollah na periferia sul de Beirute, no bairro de Dahiyeh, reduto do movimento libanês aliado ao Irã. Após uma noite de ataques intensos, a região ficou  destruída, com avenidas cobertas de escombros e prédios em ruínas, segundo jornalistas da AFP.

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A agência oficial libanesa Ani informou ainda que foram registrados ataques na região de Baalbek, no leste do Líbano, e na cidade de Sidon. De acordo com autoridades locais, pelo menos 123 pessoas morreram e 683 ficaram feridas desde segunda-feira na ofensiva israelense.

Enquanto isso, a cidade israelense de Tel Aviv foi abalada por oito explosões na manhã desta sexta-feira, após alertas de lançamento de mísseis iranianos. Jornalistas da AFP relataram as detonações, mas os serviços de emergência do Magen David Adom informaram que não houve registro de vítimas.

No Golfo, os moradores de Dubai receberam alertas de emergência em seus celulares enviados pelo Ministério do Interior dos Emirados Árabes Unidos, orientando a população a buscar abrigo devido a uma “ameaça potencial de mísseis”, em meio à campanha de represálias conduzida pelo Irã na região.

No próprio território iraniano, pelo menos 20 pessoas morreram após um ataque com mísseis na noite de quinta-feira contra a cidade de Shiraz, no sul do país. A informação foi divulgada pelo vice-governador da província de Fars, Khalil Hasani, citado pela agência estatal Irna.

A escalada militar também provocou efeitos econômicos e logísticos. A empresa de navegação dinamarquesa Maersk anunciou a suspensão temporária das viagens entre a Europa e o Oriente Médio e entre o Extremo Oriente e o Oriente Médio, alegando que o conflito compromete a segurança da navegação.

Em meio à instabilidade no mercado energético, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos anunciaram um acordo para o fornecimento de quase quatro milhões de barris de petróleo. Seul informou que seus petroleiros utilizarão portos dos Emirados que não exigem passagem pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo e que o Irã afirma controlar.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou em entrevista ao canal NBC News que enviar tropas terrestres ao Irã seria “uma perda de tempo”, acrescentando que o país persa já teria “perdido tudo” no confronto.

Na capital iraniana, Teerã, a televisão estatal Irib relatou várias explosões após o Exército israelense anunciar uma nova onda de ataques “em larga escala contra a infraestrutura do regime terrorista iraniano”.

No campo diplomático, o governo japonês informou que um segundo cidadão do país está detido no Irã e pediu sua libertação imediata. Tóquio já havia comunicado anteriormente a detenção, em 20 de janeiro, do chefe do escritório de Teerã da emissora pública NHK.

No sul da Ásia, o Sri Lanka assumiu o controle de um navio de guerra iraniano cuja tripulação havia sido retirada na quinta-feira. A medida ocorreu dois dias após forças militares dos Estados Unidos afundarem outra fragata da República Islâmica.

A ofensiva também envolve aliados regionais. O movimento libanês Hezbollah reivindicou disparos de artilharia e foguetes contra posições do Exército israelense próximas à fronteira e pediu a evacuação de localidades israelenses situadas a menos de cinco quilômetros da linha fronteiriça.

A Guarda Revolucionária do Irã anunciou ainda o lançamento de mísseis e drones em direção a Tel Aviv.

No Bahrein, autoridades informaram que ataques iranianos atingiram um hotel e dois edifícios residenciais na capital Manama, causando danos materiais, mas sem vítimas fatais.

A Arábia Saudita afirmou ter interceptado três mísseis que se dirigiam à base aérea Príncipe Sultão, onde estão estacionados militares americanos, além de derrubar vários drones na mesma região.

O Catar também declarou ter impedido um ataque com drones contra uma base dos Estados Unidos em seu território.

No Iêmen, o líder dos rebeldes huthis, Abdul Malik al Houthi, declarou que o grupo está com o “dedo no gatilho” e pronto para atacar “a qualquer momento, caso os acontecimentos exijam”.

Em meio à escalada regional, o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, afirmou que o conflito com o Irã entra em uma nova fase, prometendo “outras surpresas” contra a República Islâmica.

Com informações da Agência France-Presse*

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