Guerra

Após pedido de Zelensky, Putin diz "não ver motivos" para encontro

A afirmação do líder russo veio depois da carta aberta publicada pelo presidente ucraniano que pedia uma reunião e o fim da guerra

O presidente russo disse que olhou a carta
O presidente russo disse que olhou a carta "de forma breve" - (crédito: AP/Dmitri Lovetsky)

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira (05/06) que, no momento, não vê motivos para se encontrar com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. A declaração veio depois da publicação de uma carta aberta endereçada ao líder russo, propondo que os dois tivessem conversas presenciais para chegar a um acordo sobre o fim da guerra. 

"Não vejo sentido em nos reunirmos. Só faria sentido para o lado ucraniano interromper o avanço de nossas forças armadas. Só isso. E precisamos de acordos", disse Putin aos delegados no principal fórum econômico da Rússia, em São Petersburgo, um dia depois de Zelensky ter enviado a carta.

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Putin disse que olhou a carta “de forma breve”, mas criticou elementos da carta que considerou “rudes”, como a atenção dada à sua idade. 

Apesar de não ver razão para o encontro, Putin reiterou que nunca recusou uma reunião presencial com Zelensky e diz que seria possível marcar um encontro após alguns acordos. "Precisamos de acordos não para seis meses, nem para três meses, mas numa perspetiva histórica de longo prazo. Deixemos que os especialistas trabalhem, elaborem algumas soluções e, depois disso, poderemos reunir-nos”, afirmou. 

Nacionalistas russos também rejeitaram a carta do presidente ucraniando e classificaram o texto como uma manobra maliciosa de relações públicas destinada a fomentar o descontentamento interno na Rússia, em vez de pôr fim à guerra. 

Em uma reunião com a imprensa internacional na quinta-feira (4), Putin manteve sua postura em relação à guerra e afirmou que suas tropas estavam avançando no campo de batalha diariamente. Mencionou também que as propostas de paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderiam pôr um fim aos combates se Kiev estivesse disposta a fazer concessões. Ambos os lados se acusam de recusar a negociar. 

A carta de Zelensky

Na carta, Zelensky critica a atuação de Putin com relação à Ucrânia nas últimas duas décadas, e o responsabiliza pelo conflito, afirmando ser uma “escolha pessoal” do líder russo. “Esta guerra é uma escolha pessoal sua — uma guerra sem uma causa real. É assim que a história a lembrará", escreveu.  

Ao longo da carta, o presidente ucraniano cita as perdas sofridas pelo Exército russo, o impacto econômico da guerra e o crescente desgaste interno enfrentado pelo governo de Moscou. Segundo ele, os russos estão cada vez mais insatisfeitos com os efeitos do conflito, como a alta dos preços, a escassez de combustível e a perspectiva de novas mobilizações militares.

Zelensky também afirmou que a Ucrânia está disposta a adotar um cessar-fogo total durante as negociações e realizar uma troca completa de prisioneiros de guerra. "Chega de guerra. A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra", declarou.

Na parte final da mensagem, o líder ucraniano propõe que os dois presidentes se encontrem em um país neutro, com a participação de parceiros internacionais, e faz um apelo direto ao presidente russo: "Você pode parar sua guerra".

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postado em 05/06/2026 14:49 / atualizado em 05/06/2026 14:59
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