
A SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, estreia nesta sexta-feira (12/6), na bolsa de Nova York. O IPO (oferta pública inicial) da companhia, anunciado no último dia 20 de maio, promete ser o maior da história da Nasdaq, que é uma das bolsas mais importantes dos Estados Unidos.
A venda das 555 milhões de ações a um preço inicial de US$135 (cerca de R$686) tornará a SpaceX uma das empresas de capital aberto mais valiosas do mundo, em valor recorde de cerca de US$1,77 trilhão (aproximadamente R$8,9 trilhões).
Ao todo, 23 instituições participam do IPO da SpaceX, incluindo Goldman Sachs, Morgan Stanley, BofA, Citigroup e JPMorgan. O banco BTG Pactual, de André Esteves, é o único banco brasileiro listado na operação, de acordo com prospecto divulgado anteriormente.
- Leia também: O que a SpaceX espera ao estrear na bolsa de valores — e como ela pode fazer de Elon Musk o primeiro trilionário
Apesar da oferta pública, Musk ainda controlará metade do total de ações da empresa, sendo parte delas papéis de Classe B, que dão maior poder de voto nas decisões da empresa. Assim, o atual bilionário terá 82,4% do controle de voto em suas mãos.
A magnitude do IPO chamou a atenção para a estrutura cada vez mais interconectada do império empresarial de Musk, que inclui a montadora de carros elétricos Tesla, bem como os negócios em inteligência artificial e implantes de chips cerebrais.
Nas primeiras páginas do prospecto das ações da SpaceX, aparece uma discreta declaração de missão: "Construir os sistemas e as tecnologias necessários para tornar a vida multi-planetária, compreender a verdadeira natureza do universo e levar a luz da consciência até as estrelas."
Além disso, esse é considerado um passo mais próximo da comercialização de viagens espaciais e dos ambiciosos planos de estabelecer postos humanos na Lua e em Marte. Ao mesmo tempo, indica mais evidências da riqueza concentrada em empresas de tecnologia.
Fundada em 2022, a empresa tinha como foco construir foguetes e transportar cargas ao espaço sideral. Quase 20 anos depois, após se fundir com a Starlink, passou a operar nos serviços de internet via satélite. Neste ano, a SpaceX se fundiu também com a startup de inteligência artificial de Musk, a xAI, em um negócio que avaliou a empresa de foguetes espaciais em US$ 1 trilhão e a desenvolvedora do chatbot Grok, disponível no X, em US$ 250 bilhões.
O IPO histórico também terá a capacidade de impulsionar o status de Elon Musk, de homem mais rico do mundo para o primeiro e único trilionário do planeta.
A concentração contínua de poder em algumas megacorporações dos EUA também levanta questões importantes sobre a forma como negócios, economia e política funcionam na Terra. E muitos vêem este como o "momento Ícaro" de Musk, quando alguém voa perto demais do Sol.
O que você precisa saber
Antes de realizar qualquer compra de ações, é necessário cautela. Segundo especialistas, a avaliação inicial é de que o preço de lançamento máscara riscos financeiros de curto prazo e precifica um futuro ainda incerto.
A ação da SpaceX é classificada como "significativamente sobrevalorizada" em relatório emitido no começo do mês pela Morningstar, empresa americana de análise financeira. O valor justo da companhia seria de US$780 bilhões, menos da metade do patamar exigido por Musk.
É preciso também observar a saúde financeira da empresa. Em 2025, a SpaceX registrou receita recorde de US$18,7 bilhões, impulsionada pela Starlink. Ainda assim, a SpaceX fechou o ano com prejuízo de US$4,94 bilhões, que aumentou no primeiro trimestre de 2026, com perdas de US$4,28 bilhões.
O poder excessivo de Musk sobre a empresa também deve ser levado em conta. Isso porque, na prática, quem comprar papéis da SpaceX será um acionista minoritário sem qualquer poder para influenciar os rumos do negócio ou conter os gastos nos projetos paralelos do bilionário.
SpaceX na B3
Além da listagem da Nasdaq, a Bolsa de Valores brasileira, a B3, também disponibilizará parte dos ativos aos investidores brasileiros em forma de BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que são certificados negociados no mercado brasileiro que representam ativos emitidos no exterior.
Esse instrumento permite que investidores possam adquirir papéis de empresas internacionais sem a necessidade de abrir conta fora do país, realizar remessas internacionais ou operações de câmbio.
Embora a ação da SpaceX tenha previsão de preço inicial de US$135, cerca de R$675, a estrutura do BDR foi definida com paridade de 1 para 15. Ou seja: cada ação negociada nos Estados Unidos corresponderá a 15 BDRs no Brasil. Por isso, o ativo negociado sob o código SPCX34 poderá ser adquirido por valores entre R$50 e R$70.

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