
O número de mortes provocadas pelo duplo terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho superou 4.300, informou neste sábado (11) o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez."O número de venezuelanos e venezuelanas que faleceram por ação direta dos terríveis terremotos de 24 de junho é de 4.333", disse Rodríguez em uma entrevista coletiva.
O balanço anterior era de 4.118 mortos e 16.740 feridos. Embora o país esteja localizado em uma das regiões de maior atividade sísmica da América do Sul, a ocorrência de dois abalos tão intensos em sequência é um evento incomum pelo potencial destrutivo e pelos desafios que impõe às análises dos pesquisadores.
Segundo o sismólogo Gilberto Leite, do Observatório Nacional e da Rede Sismográfica Brasileira, a explicação para a frequência de terremotos na Venezuela está na posição geológica do país.
"A região norte da Venezuela fica justamente na zona de contato entre a placa do Caribe e a placa Sul-Americana. Como essas placas estão em movimento constante, acumulam tensões ao longo do tempo que eventualmente são liberadas na forma de terremotos", explicou Leite ao Correio.
Nesse tipo de limite tectônico, conhecido como movimento transformante, as placas deslizam lateralmente uma em relação à outra. Esse atrito faz com que a energia seja acumulada até ser liberada em forma de abalos sísmicos.
De acordo com o especialista, a Venezuela já registrou terremotos de grande magnitude ao longo da história. Até então, o maior deles ocorreu em 1900, nas proximidades de Caracas, e atingiu magnitude 7,7. Outros eventos importantes foram registrados em 1967 (6,6) e 2009 (6,3).
Ajuda humanitária
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a líder da Venezuela, Delcy Rodriguez conversaram por telefone, na tarde dessa sexta-feira (10/7), em meio ao processo de reconstrução do país vizinho, atingido por terremotos desde o final de junho.
De acordo com o Planalto, Delcy agradeceu ao presidente brasileiro pela ajuda humanitária enviada e informou que as buscas pelas vítimas e desaparecidos continuam. A presidente ainda ressaltou os desafios enfrentados para reconstruir as áreas atingidas, especialmente as moradias, já que milhares de famílias estão desabrigadas.
Desde o anúncio das primeiras vítimas do terremoto, o Brasil mobilizou o envio à Venezuela de vacinas, insumos médicos e profissionais nas áreas de medicina, segurança e telecomunicações. Até o momento, segundo o Governo Federal, já foram direcionadas 12 toneladas de medicamentos e insumos estratégicos, que incluem antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, soluções injetáveis, seringas, luvas, máscaras, gazes, ataduras e dispositivos para infusão.
Para Delcy Rodríguez, Lula garantiu que o Brasil continua disposto a enviar ajuda humanitária à população venezuelana, bem como contribuir para a reconstrução das zonas afetadas pelo desastre.
A conversa entre Lula e Delcy ocorreu momentos antes de agentes da Defesa Civil, do Corpos de Bombeiros, da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e militarem retornarem ao Brasil, na noite desta sexta, após participarem de ações de apoio humanitário na Venezuela.
*Com informações da AFP
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