Oriente Médio

Trump impõe escolha ao regime iraniano: "Acordo ou rendição total"

Donald Trump insiste que os EUA negociam um pacto com o Irã, mas regime islâmico desmente a Casa Branca. Presidente fala em "última oportunidade antes da decapitação" e garante que a Marinha americana exerce total controle sobre Estreito de Ormuz

Motociclistas passam diante de outdoor com mensagem contra Washington, no centro de Teerã: Estátua da Liberdade no chão -  (crédito: Atta Kenare/AFP)
Motociclistas passam diante de outdoor com mensagem contra Washington, no centro de Teerã: Estátua da Liberdade no chão - (crédito: Atta Kenare/AFP)

Depois de Donald Trump afirmar que suspendeu o ataque ao Irã para retomar a via diplomática e que um acordo estaria próximo, o regime teocrático islâmico desmentiu o presidente americano. Logo depois, o titular da Casa Branca insistiu que os EUA estão negociando "neste momento" com os iranianos e falou em uma "última oportunidade antes da decapitação" da república islâmica. "Esta é a última oportunidade que têm para assinar um bom documento", acrescentou. "Quero dar a eles até a última oportunidade antes da decapitação", emendou. Ele garantiu que o ataque suspenso, no domingo (2/8), contra o território iraniano teria sido "o maior desde a Segunda Guerra Mundial". 

Trump também desqualificou a negativa de Teerã e advertiu que os iranianos devem escolher entre um "acordo" ou a "rendição total". "Nós somos claros a respeito, são eles os que o negam", declarou. Mais tarde, assegurou a continuidade do bloqueio ao Estreito de Ormuz — via marítima por onde passam 20% do petróleo produzido no mundo — pela Marinha dos EUA. "Nada chega ao Irã, a menos que queiramos que chegue, e nada chegará, a menos que se consiga um acordo ou uma rendição total." 

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"Os líderes iranianos são incrivelmente dissimulados! Pedem uma reunião, alguns diriam que 'suplicam', as conversas começam, com mais encontros programados para um futuro imediato, e eles dizem, abertamente e com orgulho que não estão mantendo nenhuma conversa", afirmou o americano em sua plataforma Truth Social. Segundo o líder americano, as grandes companhias petrolíferas estão ganhando "dinheiro demais" devida à falta de petróleo causada pela guerra. "Não gosto. Estão ganhando dinheiro demais. Baseando-se em uma escassez, estão ganhando dinheiro demais", disse a jornalistas na Casa Branca.

De acordo com o Irã, não existe uma negociação com os EUA. "Nossas negociações são com Omã para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei. "Queira o Irã admitir ou não, estamos, de fato, falando de uma solução para um problema que causaram há décadas", ressaltou Trump, em referência à obstrução do Estreito de Ormuz e aos ataques a navios que tentam a travessia. No domingo, Baqaei tinha anunciado que o Irã se esforçava para construir um pacto de gestão conjunta do Estreito de Ormuz. "Estamos prestes a alcançar um acordo sobre uma rota aceitável para ambas as partes, respeitando os direitos soberanos de cada país e garantindo nossos interesses nacionais e nossa segurança", assegurou.

Popularidade 

Professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Cristina Pecequilo explicou que a nova ameaça de Trump faz parte de um ciclo de pressões e contrapressões que ocorre desde o início da guerra. "É uma reação às pesquisas de popularidade, segundo as quais somente 35% dos americanos aprovam o governo Trump. Temos a proximidade de uma eleição de meio de mandato. Alguns candidatos republicanos têm feito movimentos no sentido de se distanciar de Trump enquanto figura política. Historicamente, temos provas de que governantes que levam seu partido às eleições legislativas com popularidade tão baixa dificilmente conseguem manter a maioria na Câmara", disse ao Correio. 

Pecequilo admite que a continuidade da guerra apresenta dificuldades no que diz respeito à disponibilidade de armamentos e de capacidade bélica da parte dos EUA. "Temos observado uma contrarreação americana diante de um momento adverso. Não significa que o Irã está perdendo a guerra, mas sinaliza que está cada dia mais difícil para os Estados Unidos ganharem incondicionalmente."

EU ACHO...

Cristina Pecequilo, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo
Cristina Pecequilo, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (foto: Arquivo pessoal)

"É óbvio que o Irã não consegue ganhar a guerra em definitivo. O importante é que Teerã tem prolongado a situação de impasse para os EUA. Para Trump, a situação doméstica fica cada vez mais complexa. As alternativas para o Irã são poucas, mas ele consegue se manter. Politicamente, é um país sem grandes aliados na região para sustentar os seus pleitos."

Cristina Pecequilo, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) 

 

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postado em 04/08/2026 05:00
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