Oriente Médio

Trump faz nova ameaça ao aliado Omã e conclama o Irã à rendição

Donald Trump promete bombardear o sultanato, caso atrapalhe o diálogo entre Washington e Teerã sobre o Estreito de Ormuz. Presidente sugere que o Irã deveria "levantar a bandeira branca". Janela de 60 dias para negociações termina

Donald Trump após discurso na Academia de Polícia do Condado de Nassau, em Nova York: em maio, republicano tinha alertado aliado árabe     -  (crédito: Kent Nishimura/AFP)
Donald Trump após discurso na Academia de Polícia do Condado de Nassau, em Nova York: em maio, republicano tinha alertado aliado árabe - (crédito: Kent Nishimura/AFP)

"Se Omã se meter no caminho, vamos bombardear essa p... toda." Ao dispensar a linguagem diplomática e sem se importar com o termo vulgar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou e advertiu o sultanato do Golfo Pérsico a não interferir no acordo com o Irã sobre o Estreito de Ormuz. EUA e Omã mantêm relações diplomáticas há 193 anos. A declaração foi dada em entrevista a Try Yingst, jornalista da emissora Fox News. Washington e Mascate negociam em separado com Teerã os termos para o controle do estreito, responsável pelo escoamento de 20% do petróleo produzido no mundo.

Trump também disse a Yingst que o Irã "deveria levantar a bandeira branca da rendição". "Não tenho um cronograma, não estou com pressa. As eleições de meio de mandato não têm nada a ver com o que penso", assegurou o presidente americano. No entanto, em mensagem publicada em sua plataforma Truth Social, Trump afirmou: "a meta número um é, e sempre será, que o Irã não pode ter, de jeito nenhum, uma arma nuclear".

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A janela de 60 dias de negociações com o regime iraniano para um cessar-fogo expirou, nesta segunda-feira (17/8), sem avanços. Ao receber  jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, o republicano admitiu que Teerã deseja um acordo, mas alertou: "Eles não vão fazer o tipo de acordo que considero necessário". "Veja, estamos lá por um motivo: o Irã não pode ter uma arma nuclear", reiterou. Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, assegurou que o prazo de dois meses "caducou" após "violações" cometidas pelos americanos. "Não iniciamos nenhuma negociação porque, poucas semanas após a assinatura, começaram violações generalizadas do acordo, anulando, assim, a disposição dos 60 dias", disse.

Em 27 de maio passado, Trump havia ameaçado bombardear Omã, caso decidisse controlar Ormuz com Teerã. "Omã se comportará como todo mundo, ou teremos de explodi-lo", declarou, na época, durante reunião de gabinete na Casa Branca. Na última sexta-feira (14/8), o republicano causou polêmica ao sugerir a transformação do Estreito de Ormuz em "território americano". O presidente chamou a proposta de uma "grande ideia". "Nós o controlamos (Ormuz). Nós o controlamos com o bloqueio. Gosto da ideia de declará-lo um território. Temos controle total sobre o estreito. Ora, eles podem causar transtornos, podem colocar uma mina na água... mas o bloqueio tem sido muito eficaz", observou.  

Professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Cristina Pecequilo vê uma "elevação de tom" do republicano que coincide com a "incapacidade do governo Trump de colocar um ponto final que beneficie os Estados Unidos no conflito com o Irã". "Também vejo uma manutenção da posição do Irã como um pivô regional, apesar de todas as dificuldades. Todas as movimentações que temos observado são feitas à revelia do interesse americano. Quando os EUA ameaçam um país que é, na prática, um aliado (Omã), isso significa que existe um desencontro diplomático entre as duas nações", explicou ao Correio. "Isso tem ficado cada vez mais patente porque Omã tem ajudado o Irã a buscar soluções que não passariam por uma influência americana nem por permitir que o Ocidente tivesse um controle mais direto sobre o Estreito de Ormuz."

De acordo com Pecequilo, a declaração de Trump visa pressionar cada vez mais o Irã e demonstrar a insatisfação da Casa Branca com essa situação. "Isso vem à sombra de mais uma pesquisa de opinião que mostra a contínua perda de apoio do governo Trump", destacou. "Na última pesquisa, o republicano estava com 36% de apoio popular; agora aparece com 33%. É algo preocupante, porque muitos eleitores do partido sentem-se muito pouco à vontade com a pauta do Trump." A professora ressaltou que a recuperação econômica, uma das questões centrais, não tem acontecido.  

Iêmen

Em outra frente do conflito, rebeldes xiitas huthis do Iêmen, aliados do Irã, dispararam contra uma embarcação militar da Arábia Saudita e contra quatro navios de escolta no Mar Vermelha. A ofensiva, de acordo com o porta-voz militar huthi, Yahya Saeree, insere-se no bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos.

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postado em 18/08/2026 05:00
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