11 DE SETEMBRO

EUA marcam para 2028 julgamento do mentor do ataque de 11 de setembro

Decisão de juiz militar estabelece novo calendário para processo que se arrasta há duas décadas em Guantánamo

No dia 11 de setembro de 2001, ocorreu em Manhattan um fato que abalou o mundo no primeiro ano do novo milênio. Os atentados terroristas do grupo fundamentalista islâmico Al-Qaeda. 
 -  (crédito: Michael Foran/wikimédia Commons)
No dia 11 de setembro de 2001, ocorreu em Manhattan um fato que abalou o mundo no primeiro ano do novo milênio. Os atentados terroristas do grupo fundamentalista islâmico Al-Qaeda. - (crédito: Michael Foran/wikimédia Commons)

Um juiz militar dos Estados Unidos marcou para 5 de junho de 2028 o início do julgamento de Khalid Sheikh Mohammed e de outros três acusados de envolvimento nos ataques de 11 de setembro de 2001. A decisão foi tomada na quarta-feira (26/8) pelo tenente-coronel da Força Aérea Michael Schrama e estabelece um novo calendário para um processo que se arrasta há cerca de duas décadas na base de Guantánamo, em Cuba.

Além de Mohammed, serão julgados Walid Muhammad Salih Mubarak bin 'Atash, Mustafa Ahmed Adam al Hawsawi e Ali Abdul Aziz Ali. Os quatro estão detidos em Guantánamo e responderão perante uma comissão militar formada exclusivamente por militares, que terá a função de atuar como júri segundo as normas da Justiça Militar dos Estados Unidos.

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Além das regras processuais habituais, a decisão do magistrado prevê uma análise do histórico dos possíveis jurados. Acusação e defesa terão de elaborar um questionário conjunto e detalhado para descobrir, por exemplo, se os candidatos ou seus familiares próximos têm vínculos com a comunidade de inteligência ou com as forças de segurança dos EUA. Também serão investigadas possíveis experiências pessoais com os atentados de 11 de setembro ou outros atos de terrorismo, além de suas opiniões sobre o modelo de governo estabelecido pela Constituição americana.

O juiz Schrama também ressaltou que o cronograma mais longo é necessário para resolver questões importantes nos bastidores, entre elas os recursos da defesa que tentam invalidar declarações dadas pelos acusados ao FBI.

O cronograma prevê que, depois da escolha dos integrantes do painel, as partes apresentem seus argumentos iniciais em um prazo de 20 dias corridos. Na sequência, os promotores deverão apresentar as provas da acusação. A defesa poderá então pedir a absolvição, enquanto acusação e defesa terão oportunidade de responder aos argumentos apresentados pela parte adversária. Os promotores também poderão reabrir o caso.

A defesa terá 60 dias corridos, contados a partir do encerramento da apresentação das provas da acusação, para iniciar sua própria produção de provas. O processo será encerrado com a etapa destinada à definição das sentenças.

Processo marcado por impasses

A definição da nova data ocorre depois de uma série de disputas jurídicas que impediram o avanço do caso. No mês passado, um tribunal federal de apelações rejeitou a tentativa de Mohammed e de dois dos demais acusados de formalizar acordos de confissão que afastariam a possibilidade de condenação à morte.

A decisão derrubou entendimentos anteriores de um juiz militar e do Tribunal de Revisão das Comissões Militares dos Estados Unidos, que haviam considerado válidos os acordos.

A possibilidade de um acordo havia sido apresentada no ano passado e aceita pelo oficial responsável pela supervisão das comissões militares de Guantánamo, vinculadas ao Pentágono. Em agosto, porém, o então secretário de Defesa Lloyd Austin anulou o entendimento após sofrer pressão de parlamentares republicanos.

Na decisão mais recente, Schrama também recusou a proposta dos promotores para que o julgamento começasse em janeiro de 2027. Para o magistrado, o prazo não seria suficiente para a “resolução das questões probatórias e processuais anteriores ao julgamento”.

Acusação contra Khalid Sheikh Mohammed

Mohammed é o mais conhecido entre os quatro réus e é apontado pelas autoridades americanas como o principal responsável pelo planejamento dos ataques de 11 de setembro. Ele é acusado de organizar a operação que envolveu o sequestro de aviões comerciais usados para atingir o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono.

Os atentados de 2001 deixaram quase 3 mil mortos e deram origem à prisão de Guantánamo, inaugurada em 2002, durante o governo do então presidente americano George W. Bush, para receber estrangeiros suspeitos de envolvimento com grupos militantes.

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postado em 27/08/2026 09:10
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