
O desrespeito às regras que limitam a violência durante guerras ameaça dificultar a construção da paz, segundo a presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Mirjana Spoljaric. Ela levou o alerta ao papa Leão XIV, no Vaticano, e ao presidente da Itália, Sergio Mattarella, durante reuniões em Roma nesta sexta-feira (9/10).
Para Spoljaric, a forma como os conflitos são conduzidos tem consequências que vão além dos campos de batalha. Quando as normas internacionais são ignoradas, a população civil fica exposta a sofrimentos que poderiam ser evitados, enquanto as condições para alcançar a paz se tornam mais difíceis.
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“A maneira como as guerras são travadas em uma parte do mundo influencia como são travadas em outra”, afirmou a presidente do CICV. Ela também advertiu que a combinação entre o aumento das guerras e a redução do respeito ao direito humanitário pode colocar a humanidade em uma trajetória perigosa.
O cenário descrito pela organização é de agravamento dos conflitos armados, que, segundo o CICV, chegaram ao maior nível desde a Segunda Guerra Mundial. A entidade afirma ainda que civis enfrentam sofrimento em mais de 130 conflitos e avalia que parte desse impacto poderia ser evitada se as regras da guerra fossem respeitadas.
O Direito Internacional Humanitário (DIH) estabelece limites para a condução das guerras e prevê proteção a pessoas que não participam dos combates. O conjunto de normas também busca restringir os meios e métodos utilizados nas operações militares.
Itália e Santa Sé aderem a iniciativa internacional
Além da audiência com Leão XIV, Spoljaric se reuniu com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé. Os encontros ocorreram enquanto a organização busca ampliar o apoio político internacional ao cumprimento dessas regras.
A Santa Sé e a Itália aderiram a uma iniciativa global que reúne 122 Estados em torno do compromisso de recuperar o respeito ao direito humanitário. A proposta é recolocar as normas da guerra entre as prioridades políticas dos governos e transformar as declarações de apoio em medidas concretas.
A mobilização terá uma etapa decisiva em 7 de dezembro de 2026, quando será realizada a Conferência de Alto Nível para Defender a Humanidade na Guerra, promovida pelo rei Abdullah II, da Jordânia. O encontro reunirá lideranças de diferentes países para reafirmar o compromisso com o DIH e discutir ações para garantir sua aplicação.
Ao agradecer à Santa Sé e à Itália pelo apoio, Spoljaric defendeu que os governos assumam uma responsabilidade conjunta diante do sofrimento causado pelos conflitos. Para ela, preservar a humanidade durante as guerras também significa manter abertas as possibilidades de estabilidade no futuro.
O CICV atua em colaboração com a Cruz Vermelha Italiana, integrante do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. A parceria tem como objetivo prestar assistência às pessoas atingidas por conflitos armados e outras crises.
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