Oriente Médio

Netanyahu reage a ataque e determina fechamento da Cisjordânia

Primeiro-ministro de Israel ordena cerco completo ao território palestino, após ataque extremista que deixou dois soldados israelenses mortos, em Hebron. Ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir pede proibição total à livre circulação

Dois militantes armados são flagrados durante troca de tiros em um posto de controle de Hebron  -  (crédito: Hazem Bader/AFP)
Dois militantes armados são flagrados durante troca de tiros em um posto de controle de Hebron - (crédito: Hazem Bader/AFP)

A quatro dias das eleições legislativas de 27 de outubro, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou o "fechamento total" da Cisjordânia e anunciou que o Exército realizará "operações de larga escala" que incluirão a remoção de moradores do território palestino. A medida foi uma resposta a um ataque perpetrado por dois homens armados, que matou dois soldados, de 20 e 23 anos, e feriu outros três militares, perto de um posto de controle na cidade de Hebron. Os extremistas foram abatidos pelas Forças de Defesa de Israel (IDF). Em visita a Hebron, vestindo colete à prova de balas, Netanyahu afirmou que suas tropas implementarão, nas cidades, o "modelo bem-sucedido de ofensiva" empregado nos campos de refugiados. "As IDF entrarão nos bairros de onde os terroristas partiram, evacuarão os moradores, percorrerão casa por casa e destruirão a infraestrutura terrorista. Estamos preparados para uma operação de grande escala na Judeia e em Samaria", declarou o chefe de governo, ao citar o nome que os judeus usam ao referirem-se à Cisjordânia. 

Por sua vez, Israel Katz, ministro da Defesa israelense, disse que "o modelo do campo de refugiados de Jenin chega a Hebron". "Todos os bairros de Hebron, assoaciados a clãs específicos, de onde os terroristas partiram nesta sexta-feira (23/10), terão seus moradores retirados, e a infraestrutura terrorista presente nessas áreas será alvo de intervenção e desmantelada", reforçou. "Essa é a única linguagem que o terrorismo jihadista compreende. Assim como em Gaza, assim como no Líbano."  As IDF divulgaram um vídeo que mostra soldados mobilizados nas ruas de Hebron e cita "operações antiterroristas".

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Depois de ser atingido, o militante palestino volta a carregar a pistola
Depois de ser atingido, o militante palestino volta a carregar a pistola (foto: Hazem Bader/AFP)

A troca de tiros entre extremistas palestinos e militares israelenses durou cerca de 20 minutos. Pego de surpresa enquanto se dirigia a uma reportagem, um fotógrafo da agência France-Presse (AFP) testemunhou o atentado e viu os corpos dos dois militantes estendidos no chão, sob a vigilância de um soldado. 

Também em visita ao local do atentado, o ultradireitista Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional, lamentou uma "dura manhã" e defendeu o completo bloqueio de circulação de pessoas dentro da Cisjordânia. "Precisamos desmantelar essa coisa chamada Autoridade Palestina. Não pode haver uma situação em que, na Judeia e em Samaria, tenhamos um Estado de terror. Precisamos desmantelá-la; precisamos interromper a circulação — as rotas compartilhadas por judeus e residentes da Autoridade. A liberdade de movimento dos residentes da Autoridade é menos importante do que o nosso direito à vida", afirmou. "Não devemos esperar que aconteça um 7 de outubro" na Cisjordânia, ressaltou, ao citar o massacre cometido pelo movimento fundamentalista islâmico Hamas no sul de Israel. 

Morador de Hebron, o ativista palestino Issa Amro — fundador do movimento Jovens contra os Assentamentos — passou parte do dia em Dura, a apenas 12km de casa. Levou cinco horas para percorrer o trajeto. Em entrevista ao Correio, ele contou que o incidente envolvendo palestinos e soldados israelenses ocorreu na entrada da cidade. "Depois do tiroteio, as IDF isolaram Hebron completamente. Ao mesmo tempo, fecharam 40 postos de controle nas entradas e saídas da cidade. As pessoas estão presas dentro de suas casas", relatou. "O Exército israelense começou as batidas nas casas e a deter pessoas. Também disparou contra palestinos em entroncamentos, ferindo alguns deles. Casas de palestinos e estabelecimentos comerciais começaram a ser  demolidos. Isso é algo completamente insano."

Soldado diante dos corpos dos extremistas palestinos
Soldado diante dos corpos dos extremistas palestinos (foto: Hazem Bader/AFP)

De acordo com Amro, moradores de Hebron mostram preocupação com o acesso aos hospitais, a alimentos e a combustíveis. "Não nos sentimos seguros. Dispomos de mínimos serviços em nossas casas e em nossos bairros", disse. Ele lembrou que a decisão de Netanyahu de fechar a Cisjordânia é algo que não ocorria desde 1967. "Netanyahu nos ameaça com uma nova ocupação e com outra limpeza étnica."

EU ACHO...

Issa Amro, ativista palestino, fundador do movimento Jovens contra os Assentamentos, morador de Hebron
Issa Amro, ativista palestino, fundador do movimento Jovens contra os Assentamentos, morador de Hebron (foto: Arquivo pessoal )

"Enquanto palestinos, sentimo-nos deslocados. Tememos o terrorismo dos colonos judeus e a violência do Exército israelense. Estamos muito assustados e também muito nervosos por sermos usados como material de campanha por Benjamin Netanyahu e por seu Partido Likud para que ganhem mais votos, tornando nossas vidas mais difíceis. Existe o risco de uma punição coletiva para os palestinos da Cisjordânia e os cidadãos de Hebron."

ISSA AMRO, ativista palestino, fundador do movimento Jovens contra os Assentamentos, morador de Hebron

Moradores do vilarejo de Hammoud e forças de segurança se reúnem do lado de fora da Igreja Ortodoxa Grega atacada
Moradores do vilarejo de Hammoud e forças de segurança se reúnem do lado de fora da Igreja Ortodoxa Grega atacada (foto: AFP)

Atentado em igreja na Jordânia mata sete e fere 34

Pelo menos sete pessoas morreram e 34 ficaram feridas em um ataque armado contra uma igreja no sul da Jordânia, em um episódio incomum de violência contra a comunidade cristã neste reino de maioria muçulmana sunita. O ministro do Interior, Mazen Al Faraya, afirmou que o atentado foi perpetrado por "um grupo de extremistas". Os agressores invadiram o recinto de uma igreja ortodoxa grega na localidade de Hammud, na província de Karak, antes de abrir fogo, segundo as autoridades. Dos 34 feridos, 27 permanecem hospitalizados. As forças de segurança iniciaram uma operação para localizar os responsáveis. Segundo as autoridades, os agressores saíram de um veículo e abriram fogo durante uma procissão fúnebre. Imagens divulgadas pela televisão pública Al Mamlaka mostraram dois homens armados com pistolas e um terceiro portando uma arma longa antes de abrir fogo.

  • Depois de ser atingido, ele volta a carregar a pistola
    Depois de ser atingido, o militante palestino volta a carregar a pistola Foto: Hazem Bader/AFP
  • Soldado diante do corpo de um extremista, abatido durante o tiroteio
    Soldado diante dos corpos dos extremistas palestinos Foto: Hazem Bader/AFP
  • Issa Amro, ativista palestino, fundador do movimento Jovens contra os Assentamentos, morador de Hebron
    Issa Amro, ativista palestino, fundador do movimento Jovens contra os Assentamentos, morador de Hebron Foto: Arquivo pessoal
  • Moradores do vilarejo de Hammoud e forças de segurança se reúnem do lado de fora da Igreja Ortodoxa Grega atacada
    Moradores do vilarejo de Hammoud e forças de segurança se reúnem do lado de fora da Igreja Ortodoxa Grega atacada Foto: AFP
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postado em 24/10/2026 05:00
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