Vice-presidente

Mourão diz "sentir falta" de ser chamado para reuniões ministeriais de Bolsonaro

Presidente realizou novo encontro com os ministros no Palácio da Alvorada nesta terça-feira (15/6) e deixou o vice-presidente de fora. "(Fico) Sem saber o que está acontecendo", lamentou o general

Ingrid Soares
postado em 15/06/2021 16:43 / atualizado em 15/06/2021 16:51
 (crédito: Bruno Batista /VPR)
(crédito: Bruno Batista /VPR)

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) relatou nesta terça-feira (15/6) “sentir falta” de ser chamado para participar das reuniões ministeriais do presidente Jair Bolsonaro. Já hoje, o mandatário realizou novo encontro com os ministros da Esplanada no Palácio da Alvorada e deixou novamente o general de fora. A reunião também não constava na agenda oficial do chefe do Executivo. Questionado por jornalistas se havia recebido convite, Mourão negou e disse que acaba ficando “sem saber o que está acontecendo”.

“I’d rather not want to answer [Prefiro não responder]. Não, não fui convidado. Sinto, sinto falta. A gente fica sem saber o que está acontecendo, né?”, disse o vice-presidente. “É importante que a gente saiba o que está acontecendo, mas, paciência né? ‘C'est la vie’ [É a vida], como dizem os franceses”, acrescentou Mourão. Bolsonaro e o vice reforçam os sinais de estremecimento na relação pessoal, corroborando os indícios de um futuro rompimento entre os dois.

A demonstração mais recente da falta de sintonia entre Bolsonaro e Mourão foi o episódio envolvendo o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. O mandatário fez o possível para livrar o general de uma punição do Exército após a presença dele em uma manifestação a favor do governo. Organizou até uma reunião, sem convidar o vice, com o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, para defender Pazuello.

Em contrapartida, Mourão não escondeu o incômodo com a participação do ex-ministro no ato político. Conforme disse, o Exército precisa dar uma resposta para não banalizar a participação de integrantes das Forças Armadas em outros atos políticos e “evitar que a anarquia se instaure”.

Desde o começo do ano, Mourão tem sido excluído das reuniões. No dia 9 de fevereiro, o vice chegou a dizer que não estava incomodado com o ocorrido. “Não fui convidado. Não fui chamado. Então, acredito que o presidente julgou que era desnecessária minha presença. Só isso”, apontou. Ao ser questionado se estava incomodado com a situação, o general se limitou a dizer que “não”.

Declarações

Bolsonaro, filhos e aliados se mostraram contrafeitos desde o começo de 2019 com declarações que o vice concede à imprensa. Em janeiro, Mourão indicou a jornalistas que o presidente colocaria em prática uma reforma ministerial e que uma das trocas seria no Ministério das Relações Exteriores, com Ernesto Araújo deixando o cargo. O mandatário foi efusivo e rebateu secamente a ideia dizendo que o governo não precisa de 'palpiteiros'.

Um segundo acontecimento ajudou a aprofundar a crise quando um assessor do general alertou o chefe de gabinete de um parlamentar sobre a possibilidade de o Congresso ter de começar a se preparar para analisar um pedido de impeachment contra o comandante do Palácio do Planalto. Mourão exonerou o assessor envolvido no caso, Ricardo Roesch Morato Filho, e reforçou que jamais trabalharia contra Bolsonaro.

Em outubro do ano passado, o presidente rebateu novamente a fala do vice ao dizer que "a caneta Bic é minha". Ele se referiu a uma declaração de Mourão, que afirmou na data que o governo federal ajudaria na compra da CoronaVac, quando o chefe do Executivo ainda se mostrava contrário.

"Essa questão da vacina é briga política com o (governador de São Paulo, João) Doria. O governo vai comprar a vacina, lógico que vai. Já colocamos os recursos no (Instituto) Butantan para produzir essa vacina. O governo não vai fugir disso aí", garantiu Mourão na ocasião.

Reeleição

Mourão diz ainda ter ciência de que Bolsonaro deverá escolher outro vice para a chapa quando se candidatar à reeleição em 2022. "Até o presente momento, o que eu tenho visto é que ele precisaria de outra pessoa no meu lugar, apesar de ele nunca ter dito isso pessoalmente para mim. Mas a interpretação que eu tenho feito dos sinais que têm sido colocados é de que ele vai escolher outra pessoa para acompanhar ele aí nessa caminhada para reeleição", disse em abril.

Fala semelhante foi dada em maio quando o general reconheceu que "tudo indica que ele não me quer como vice". "Mas eu também não vou morrer por causa disso. Eu continuo a ser general da reserva, a minha rede do posto 6 está pronta, me aguardando. Então, a vida continua", comentou na data.

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