DEBATE

Temer diz que há "clima político" para votar semipresidencialismo em 2022

Ex-presidente defendeu reforma política ao afirmar que presidencialismo está "esfarrapado" no Brasil em debate na Confederação Nacional de Agricultura (CNA) nesta quarta-feira (6/4)

Michelle Porterla
postado em 06/04/2022 18:52 / atualizado em 06/04/2022 18:52
 (crédito: CNA/Divulgação)
(crédito: CNA/Divulgação)

O ex-presidente Michel Temer (MDB) disse, nesta quarta-feira (6/4), que há "clima político" para a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que modifica o sistema político no Brasil para o semipresidencialismo. "Vejo que o presidente [da Câmara dos Deputados] Arthur Lira (PL-AL) está muito empenhado nisso. Se quiser, entre a eleição [de outubro]e o final do ano seria possível. A meu ver, é útil para o país", afirmou.

A declaração ocorreu após palestra no Jornada CNA 2022, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), durante a qual ele criticou o momento político nacional. Temer é membro do Grupo de Trabalho criado por Arthur Lira para debater o tema na Câmara, que segue coordenado pelo deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP). No grupo também estão o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim e a ex-ministra Ellen Gracie. 

"O presidencialismo está esfarrapado. Se esfarrapou ao longo da história", disse Temer, que chegou ao Palácio do Planalto como vice-presidente na chapa da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016. 

Para Temer, o sistema presidencialista se "esfarrapou" ao longo da história, e não apenas no período mais recente, com dois impeachments em 33 anos de Constituição Federal. "De 1930 a 1945 não tivemos presidencialismo no Brasil, de 1964 a 1988 foi um presidencialismo de pé quebrado. Então, ele se esfarrapou ao longo do tempo", indicou.

Caso a proposta seja aprovada pela Câmara dos Deputados, a mudança precisaria ser referendada pela população, com a realização de plebiscito. "A decisão teria de ser referendado pelo povo. Acho que é o momento ideal porque o projeto original fala em 2030, mas na minha opinião deveria ser para 2026", avaliou. 

Ainda de acordo com o ex-presidente, o semipresidencialismo é o centro dos debates atuais. "É a grande reforma política do país. A modificação do próprio sistema político. É um passo ousado que o Congresso teria de aprovar e, depois, ser referendado pelo povo, mas acho que daria um resultado extraordinário." 

Eleições 

O ex-presidente também participou de uma palestra na Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde defendeu a candidatura da senadora Simone Tebet (MDB)

"Pessoalmente acho que ela vai crescer na pesquisa. Nós temos abril, maio, junho, julho, muito tempo pela frente. Acho que o desempenho que ela está tendo, o empenho, o desembaraço vai fazer com que ela cresça na pesquisa", afirmou o ex-presidente a jornalistas. "Eu tenho falado muito com o presidente Baleia Rossi e outros companheiros do MDB. A ideia é exatamente esta: levar [a candidatura] até o fim", disse. 

 

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