Investigação

Ailton Barros pediu a Cid para viabilizar encontro com cônsul americano

Em conversa, interceptada pela PF, Ailton, que é militar da reserva do Exército, cita que foram abertas "três frentes", uma em Brasília e duas no Rio, para viabilizar as fraudes nos cartões de vacina de Bolsonaro e de familiares

Investigadores acreditam que Ailton queria falar com cônsul para tratar de problema com os lotes da vacina que seriam anotados no cartão de Gabriela Cid, esposa de Mauro Cid
 -  (crédito: Reprodução/Facebook e Twitter)
Investigadores acreditam que Ailton queria falar com cônsul para tratar de problema com os lotes da vacina que seriam anotados no cartão de Gabriela Cid, esposa de Mauro Cid - (crédito: Reprodução/Facebook e Twitter)
postado em 19/03/2024 15:31 / atualizado em 19/03/2024 15:32

O militar da reserva do Exército Ailton Barros, que chegou a ser preso por envolvimento com o esquema de fraude no cartão de vacinas do ex-presidente Jair Bolsonaro e familiares, pediu que o tenente-coronel Mauro Cid viabilizasse um encontro com o cônsul dos Estados Unidos no Rio de Janeiro. De acordo com mensagens interceptadas pela Polícia Federal, Ailton tentava promover o encontro entre o ex-vereador carioca Marcelo Siciliano e o representante da diplomacia norte-americana. 

Os investigadores acreditam que Ailton queria falar com o cônsul para tratar de um problema com os lotes da vacina que seriam anotados no cartão de vacinas de Gabriela Cid, esposa de Mauro Cid.

"Cidinho, boa tarde! Irmão, deixa eu falar contigo. Primeiro, te dá um retorno. Olha só, aquela missão nossa, tá em andamento velozmente, tá OK? Tem a frente de Brasília aí que você abriu a frente. Eu estou com duas frentes aqui no Rio, acabei de abrir uma terceira aqui agora, porque realmente o negócio é pica e ninguém pode ficar exposto, não é, particularmente, particularmente, quem você sabe, né? Não pode ficar. Mais tá caminhando bem. Eu acredito que pelo menos uma delas deverá dar bingo aqui do Rio. Isso é uma coisa. É a outra coisa. É o seguinte, eu preciso botar um garoto meu de frente com o cônsul americano, o cônsul americano precisa, ele precisa conversar com o cônsul americano. É um amigo meu. Tudo bem, meu querido, é um amigo meu, que foi que foi vereador aqui. Não se elegeu nessa última eleição e precisa falar com o cônsul americano", escreveu Ailton, em mensagem para Mauro Cid.

Nos diálogos, Ailton fala em "três frentes" abertas para viabilizar as fraudes, sendo uma delas em Brasília, possivelmente no Ministério da Saúde, e duas no Rio de Janeiro, no âmbito municipal.

Posteriormente, em outra conversa, o militar afirma que a situação "está 100% resolvida" e indica que Siciliano resolveu a situação de Gabriela. “Situação da nossa amiga: resolvido 100% de baixa. Me manda, não quero os dados, me manda foto da identidade, frente verso e CPF”, afirmou.

Quem é Ailton Barros

Ailton Barros é um militar que foi expulso do Exército em meio a diversos processos na Justiça Militar com acusações que vão de tentativa de abuso sexual contra civis em acampamentos militares e humilhação contra militares de patentes mais baixas até suspeita de negociação pela entrega de fuzis roubados pelo Comando Vermelho.

Em uma das conversas interceptadas pela PF, ele, que tem forte influência entre políticos do Rio, chega a dizer que sabe quem mandou matar a ex-vereadora Marielle Franco. "Eu sei dessa história da Marielle toda, irmão, sei quem mandou. Sei a p*** toda. Entendeu? ", afirmou Barros.

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