Judiciário

Incentivo à defesa da democracia pelos jovens

A estudantes de escola pública de Planaltina, ministra Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, exorta a participação política e mostra a força do voto

Em uma roda de conversa com cerca de 350 alunos do Centro de Ensino Médio 1 de Planaltina, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, defendeu, ontem, a importância da participação política e do voto entre os jovens que irão às urnas pela primeira vez nas eleições de 2026. Ao incentivar os estudantes a exercerem a cidadania e a acreditarem no poder transformador da democracia, a ministra deu um recado enfático:

"O Brasil não caiu do céu nem nasceu no inferno. O Brasil é o que nós quisermos que ele seja", frisou.

Com estudantes e professores, ela abordou temas como igualdade de gênero, liberdade de expressão, polarização política e o papel das novas gerações na construção do país. A ministra respondeu perguntas, ouviu relatos e lembrou que o voto é "a ferramenta mais poderosa da cidadania".

"Na hora em que você chega à cabine eleitoral, é você e a urna. Nem pai, nem mãe, nem juiz, ninguém manda. É o seu voto, o seu direito, a sua escolha. Isso é democracia", destacou.

A ministra lembrou o processo de redemocratização do país, ao citar os 37 anos da Constituição e os 40 anos do fim da ditadura militar. Destacou que a geração à qual pertence lutou pelo direito ao voto e pela liberdade de pensamento, e reforçou que cabe aos jovens preservar tais conquistas.

"Foi com muita luta que conseguimos redemocratizar o Brasil. O que parece normal para vocês — como poder falar, estudar e escolher — foi fruto de muita coragem. Cada geração tem o dever de garantir que a próxima mantenha esses direitos", afirmou.

No encontro, estudantes e professores debateram o país com a ministra. Natasha de Souza, 18 anos, aluna do 3º ano, destacou o impacto da presença da presidente do TSE.

"A ministra aqui, hoje, na nossa escola, foi de extrema importância, pois nos trouxe um olhar muito diferente do que é acostumado a ter nas escolas, nas nossas realidades, sobre a Constituição. Devemos saber os nossos direitos, o que é de extrema importância, tanto para receber mais respeito quanto para ter o que pedir nas políticas públicas. Essa palestra da ministra foi muito esclarecedora", disse Natasha, que integra o projeto Meninas em Ação, voltado ao empoderamento feminino.

A presença de Cármen Lúcia também emocionou os professores. Adriane Vilar, docente de geografia, ressaltou o simbolismo de receber a mulher que está no comando da Justiça Eleitoral em uma escola pública.

"É uma alegria. Estou muito emocionada porque, além de falar sobre democracia — que é um tema que a gente aborda o tempo inteiro com os alunos —, é também uma mulher. Uma mulher empoderada, que está ajudando a construir uma democracia mais forte no país", afirmou.

Cármen Lúcia aproveitou os comentários dos jovens e dos docentes para discutir temas como desigualdade, educação e empatia. Também falou sobre segurança, transporte e condições de estudo, afirmando que o poder público deve garantir o direito de viver sem medo.

"O estresse de viver sob ameaça causa doenças. É direito de cada um de nós poder ir e vir em paz. Nós, servidores públicos, trabalhamos para que vocês tenham uma democracia plena e direitos respeitados", afirmou.

A presidente do TSE entregou um exemplar da Constituição à escola, como símbolo do compromisso com a formação cívica. A visita fez parte das ações da Justiça Eleitoral voltadas à educação política e ao incentivo ao alistamento de jovens de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo.

 

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