
O Ministro da Defesa, José Múcio, e secretária-geral do Itamaraty, embaixadora Maria Laura da Rocha, participaram de nova reunião nesta noite sobre o ataque americano à Venezuela - (crédito: Valter Campanato/Agência Brasil)
Uma nova reunião ministerial ocorreu na tarde deste sábado (3/1) para tratar sobre a posição do Brasil e a situação da comunidade brasileira na Venezuela após os ataques dos Estados Unidos no país e o sequestro do presidente Nicolás Maduro.
Após o encontro, a ministra substituta das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, disse que o governo brasileiro reconhece a vice-presidente Delcy Rodriguez como atual chefe do Executivo venezuelano no lugar de Maduro.
A chanceler interina disse que o posicionamento do Brasil está em linha com o direito internacional, como tradicionalmente, de condenar “qualquer tipo de invasão territorial”. Ela também disse que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que participou virtualmente da reunião, e manteve a posição divulgada mais cedo, mesmo após o discurso do presidente Donald Trump ocorrido já durante a tarde.
Uma reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) foi convocada para a manhã da próxima segunda-feira. “O Brasil vai participar, e repetirá tudo isso”, disse Maria Laura da Rocha, sobre a posição que o país deve adotar no cenário internacional. Além deste encontro, deve haver uma reunião dos ministros que representam a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) neste domingo (4/1) à tarde.
Além da chanceler, também participaram presencialmente da reunião desta sábado, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, a secretária-executiva da Casa Civil, Francisca Lucileide de Carvalho, e o secretário-executivo de Relações Institucionais, Marcelo Almeida Cunha Costa.
Virtualmente, além de Lula, também marcaram presença o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, e a embaixadora do Brasil em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira.
Após o encontro, José Múcio Monteiro, disse que a situação da fronteira com o país vizinho “nunca foi tão tranquila” e que o governo descarta fechar a passagem em Pacaraima (RR).
“Não há nenhuma restrição. O brasileiro que estiver lá [na Venezuela] pôde vir. Procurou-se a embaixadora e a embaixadora ajudou, a vice-cônsul brasileira lá também tem ajudado bastante, de maneira que nós estamos de plantão para ver se surgem novos acontecimentos”, disse, referindo-se à saída de 100 brasileiros que estavam no país a turismo, após o ataque.
Mais cedo, após a primeira reunião do dia, Múcio reforçou que a fronteira com a Venezuela em Pacaraima estava aberta normalmente para a circulação de pessoas e que já havia efetivo suficiente das forças armadas para garantir a presença militar na região. “Estamos atentos, nos comunicamos permanentemente e está tudo sob controle”, disse Múcio.
“Afronta à soberania”
Também pela manhã, Lula escreveu nas redes sociais que a ação dos Estados Unidos na Venezuela “ultrapassam uma linha inaceitável” e representam uma afronta direta à soberania do país. “Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, destacou.
O presidente ainda condenou o uso da força bélica nos bombardeios e destacou que a ação recordaria os “piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”, além de ameaçar a preservação da região como uma “zona de paz”. “A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio”, acrescentou Lula.
Do outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu entrevista coletiva horas após o ataque e afirmou que os EUA devem controlar a Venezuela durante o que ele chamou de uma “transição pacífica”. Ainda não se sabe se o republicano dará espaço para a oposição a Nicolás Maduro assumir o poder, ou se os norte-americanos reconhecerão outro nome.
Trump ainda deixou claro o interesse dos EUA de explorar as reservas de petróleo venezuelanas: “Teremos grandes empresas americanas de petróleo que vão gastar bilhões de dólares para consertar a infraestrutura e começar a ganhar dinheiro pelo país”. disse o presidente, que reforçou ainda que os Estados Unidos estariam preparados para uma segunda ofensiva contra a Venezuela, caso avaliem necessário.
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Por Raphael Pati
postado em 03/01/2026 20:30
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