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Autoridades em Roraima priorizam acolhimento de venezuelanos na fronteira

Maior preocupação das autoridades na divisa com a Venezuela, em Roraima, é manter desimpedido o fluxo de refugiados que chegam ao território brasileiro

Fronteira da Venezuela com o Brasil foi fechada na manhã desta sexta-feira (10/1) por determinação do presidente Nicolás Maduro  -  (crédito: Divulgação Polícia Militar de Roraima )
Fronteira da Venezuela com o Brasil foi fechada na manhã desta sexta-feira (10/1) por determinação do presidente Nicolás Maduro - (crédito: Divulgação Polícia Militar de Roraima )

A principal preocupação das autoridades brasileiras no norte de Roraima é manter o acolhimento de venezuelanos que buscarem refúgio no Brasil, sobretudo depois do sequestro do ditador Nicolás Maduro e da mulher, Cília Flores. Segundo o Exército, por ora não houve necessidade de reforço no efetivo ou mudanças na atuação por causa do ataque norte-americano, no último sábado.

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O general Roberto Angrizani, comandante da Força no estado, reforçou que o foco permenece sendo o monitoramento e a coibição de entradas ilícitas. "Nossa tropa já vem na execução desses procedimentos há muito tempo. É uma tropa experiente, uma tropa profissional. Nossa orientação é manter a cordialidade com aqueles que buscam entrar no território brasileiro e, obviamente, cumprir nosso papel, que é coibir a entrada ilícita, fazer o patrulhamento e o monitoramento. Essa é nossa orientação", explicou.

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Paracaraima continua sendo a principal porta de entrada para imigrantes venezuelanos. Segundo o Observatório de Migrações Internacionais (OBMigra), entre 2015 e 2024 eles representaram 93,6% do total de refugiados em solo brasileiro e, de 2015 a 2024, Roraima concentrou 61,2% de todas as solicitações de abrigo no país. Para ordenar o fluxo migratório, foram criadas estruturas de acolhimento, como o Alojamento BV-8 (para não indígenas) e o Abrigo Janokoida (para indígenas).

Entre 2022 e 2023, os venezuelanos responderam por 82,% das solicitações de refúgio no Norte, com Pacaraima e Boa Vista (capital de Roraima) sendo as cidades que mais acolheram esses pedidos. A maioria dos solicitantes tem perfil jovem, com destaque para a faixa de 25 a 39 anos, além de uma alta incidência de crianças e adolescentes (menores de 18 anos) — que, em 2024, representaram cerca de 40,3% das solicitações.

Criada em 2018, a Operação Acolhida tem sido a principal resposta do governo brasileiro para mitigar os impactos da imigração desordenada em Roraima. Coordenada pelo Ministério da Defesa,  funciona sob um modelo interagências, envolvendo mais de 120 instituições, incluindo agências da Organização das Nações Unidas, ONGs e órgãos federais, estaduais e municipais. Até meados de 2024, a operação recebeu mais de 125 mil venezuelanos distribuídos em mais de mil municípios brasileiros.

Turistas

Depois de dois dias impedidos de sair da costa norte da Venezuela, um grupo de 100 brasileiros chegou ao Brasil na manhã de ontem. Os turistas ficaram no país devido ao fechamento do espaço aéreo por causa do ataque das forças militares norte-americanas. Eles desembarcaram no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). Não há registro de vítimas ou feridos entre a comunidade brasileira em território venezuelano.

"Nossa embaixada em Caracas segue acompanhando com atenção não apenas o desenrolar dos acontecimentos, mas, também, a situação da comunidade brasileira naquele país, não havendo qualquer relato de vítimas ou feridas na comunidade brasileira", disse a ministra interina das Relações Exteriores (MRE), Maria Laura da Rocha. 

Também ontem, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que a pasta vai enviar insumos de diálise, necessários para tratamento de problemas renais, para a Venezuela, após a ação militar dos EUA. Isso porque o ataque norte-americano destruiu um centro de distribuição dos aparatos médicos no país vizinho.

"Estamos buscando mobilizar, com empresas privadas no Brasil, insumos para diálise e medicamentos e vamos dar esse apoio para o povo venezuelano, que teve o seu centro de distribuição atacado, o que pode significar o desabastecimento desses insumos. Eles têm cerca de 16 mil pacientes que fazem tratamento de diálise. Isso é mais ou menos 10% do que o Brasil tem no SUS", afirmou Padilha, acrescentando que a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) pediu ajuda ao governo brasileiro.

Padilha destacou que o governo brasileiro irá auxiliar a saúde venezuelana por causa da proximidade com o país e pela ajuda vinda do governo de Caracas na crise de falta de oxigênio em Manaus, no início de 2021, durante o auge da pandemia de covid-19.

"Um conflito bélico como esse tem impactos diretos, às vezes, nos serviços de saúde. Por ser um país vizinho ao nosso, o Brasil sempre estará à disposição e mobilizado para ajudar por razões humanitárias. A gente não pode esquecer que, quando teve o colapso de oxigênio em Manaus, vieram 135 mil metros cúbicos de oxigênio da Venezuela para salvar o povo brasileiro", lembrou Padilha. (Com Agência Brasil)

 

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postado em 06/01/2026 03:55
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