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Mercosul e União Europeia assinam acordo histórico no dia 17

Após mais de 25 anos de negociação, países europeus aprovam pacto, que abre caminho para criação da maior zona de livre-comércio do mundo, um contraponto às medidas protecionistas dos Estados Unidos

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Lula: "Dia histórico para o multilateralismo" - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

O governo federal celebrou, nesta sexta-feira, o avanço do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia (UE), negociada há mais de 25 anos e aprovado pela maioria das 27 nações que compõem o Conselho Europeu. A decisão foi vista como uma vitória do multilateralismo, já que o tratado serve de contraponto às medidas protecionistas impostas, especialmente, pelos Estados Unidos, incluindo o tarifaço unilateral. Esse será o maior acordo comercial entre blocos do mundo.

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Em comunicado oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou exatamente esse aspecto do acordo, que está previsto para ser assinado no próximo dia 17, no Paraguai, atual presidente do Mercosul.

"Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o acordo entre Mercosul e União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões", disse Lula.

"Em um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico, com benefícios para os dois blocos. O texto amplia alternativas para exportações brasileiras e investimentos produtivos europeus e simplifica regras comerciais para os dois lados. Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos", acrescentou ainda o chefe do Executivo.

 

Nesta sexta-feira, em Bruxelas, Bélgica, embaixadores de países do Conselho Europeu votaram o acordo, que teve a aprovação da maioria qualificada das nações. Pouco depois, os governos dos países confirmaram seus votos.

O aval ocorreu apesar de um movimento de resistência articulado pela França. O governo de Emmanuel Macron é fortemente pressionado pelos agricultores franceses, que realizaram diversos protestos contra o acordo nos últimos meses. Eles temem o impacto da concorrência com o agronegócio brasileiro, e exigem a adoção de medidas de segurança.

O texto ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos dos países do Mercosul para entrar em vigor. Porém, deve ser assinado na próxima semana, no Paraguai, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Lula também recebeu, nesta sexta-feira, uma ligação do presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, a quem agradeceu pelo apoio ao tratado. "O presidente Lula agradeceu pelo empenho do governo de Pedro Sánchez em prol do acordo e reiterou a expectativa de que gere benefícios concretos para as pessoas nos dois blocos", disse o Planalto em nota sobre o telefonema. "Destacou, ainda, ser um sinal muito positivo em defesa do multilateralismo e de regras comerciais previsíveis e estáveis para as duas regiões", acrescentou.

Ministros

Outros órgãos e integrantes do Executivo se manifestaram. Em nota conjunta, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) disseram que o Brasil saúda a decisão do Conselho Europeu. Segundo as pastas, a medida abre caminho para que o tratado seja finalmente assinado após mais de 25 anos de negociações.

“O acordo integrará dois dos maiores blocos econômicos do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões. Trata-se do maior acordo comercial negociado pelo Mercosul e um dos maiores dentre aqueles pactuados pela União Europeia com parceiros comerciais”, disseram as pastas.

Já para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o acordo é histórico “não apenas pelo seu significado econômico, mas sobretudo pelo significado geopolítico. Uma nova avenida de cooperação se abre nesse momento conturbado, mostrando um novo caminho de pluralidade e oportunidade”, escreveu em suas redes sociais.

Também em nota, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, comentou que a iniciativa é um dos movimentos mais relevantes das últimas décadas para o bloco sul-americano. “Mais acesso a mercados consumidores, mais investimentos, mais integração entre os países e, principalmente, mais produtos disponíveis, maior competição, ajudando a baixar ainda mais a inflação. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação”, disse Tebet.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, apontou a importância do livre-comércio para o agronegócio brasileiro — que foi, inclusive, um dos principais entraves para o tratado, já que agricultores, especialmente da França, temem a competição com as empresas brasileiras.

“A presença do Brasil e a força da diplomacia do presidente Lula foram fundamentais para isso. Com relação à agropecuária, é muito relevante nas oportunidades para o Mercosul com a ampliação dos nossos negócios. As salvaguardas são ações recíprocas que podem ser debatidas conjuntamente durante os processos de negociação. O nosso foco é na ampliação das oportunidades”, disse Fávaro, citando as medidas de proteção exigidas por agricultores europeus para proteger a produção interna. 

 

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postado em 10/01/2026 03:55
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