
Com o anúncio de que a União Europeia aprovou o acordo com o Mercosul, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS), avalia que o tratado representa um passo estratégico para o Brasil ao reforçar o multilateralismo, reduzir dependências externas e ampliar oportunidades para a indústria e o agronegócio.
Em entrevista ao Correio, o parlamentar defendeu que o momento político favorável deve ser aproveitado. Ele afirmou que o Congresso acompanhará de perto a implementação do acordo, inclusive diante das resistências de alguns países europeus.
Como o senhor avalia os impactos do acordo UE-Mercosul para a política externa brasileira?
A avaliação é muito positiva, principalmente porque não é recomendável para nenhum país ficar dependente de uma única potência. O acordo fortalece o multilateralismo. Ele permite negociar com o bloco de países da União Europeia e realizar negociações indiretas com os próprios países do Mercosul. Eu acreditava que o acordo deveria ser assinado logo, pois o ambiente estava favorável tanto na União Europeia quanto no Mercosul. Esses momentos são cíclicos; há períodos de concordância e outros de resistência, por isso deve-se aproveitar o momento propício. Estou muito satisfeito, pois essa perspectiva de acordos será benéfica para ambos os blocos.
Quais setores da economia brasileira tendem a ser mais beneficiados e quais exigirão maior atenção do Congresso?
O acordo ancora-se em dois pilares: a indústria e o agronegócio. Ambos serão beneficiados de forma equilibrada. No Mato Grosso do Sul, meu estado de origem, essencialmente agrícola, a expectativa era muito grande pela celebração desse acordo. Novas perspectivas se abrem para os produtos do agronegócio, especialmente do Centro-Oeste.
Há preocupação de que a oposição interna em países europeus, como a França, possa atrasar ou impor condicionantes adicionais ao acordo; como o senhor enxerga esse risco?
A diplomacia é uma arte dinâmica, que precisa ser exercitada constantemente. Não se pode desprezar os cinco ou seis países que votaram contra em um universo de 26. Precisamos trazer esses países para o diálogo e compreender seus pontos sensíveis, pois é necessário entender o outro lado também. Não vejo grandes dificuldades nisso; é um exercício constante e frequente dentro do parlamento.
De que forma a CRE pretende acompanhar a implementação das salvaguardas e exigências europeias, sobretudo nas áreas ambiental e sanitária?
Assim que o rito legislativo determinar que o tratado chegue à Comissão de Relações Exteriores, constituiremos uma subcomissão para acompanhar de perto toda a tramitação. O objetivo é garantir que não existam situações sensíveis no âmbito ambiental ou que prejudiquem a competitividade brasileira. Cabe ao Parlamento realizar esse monitoramento; já estávamos atentos a isso e o tema estava em nosso radar.
O Senado terá algum papel específico de monitoramento ou revisão periódica do acordo após sua entrada em vigor?
Com certeza. O Senado, por meio da comissão pertinente, agirá conforme sua prerrogativa. Já temos delineada a criação de uma subcomissão logo no início do recesso. Ela será composta por membros e submetida à aprovação do colegiado e do plenário para ser institucionalizada, permitindo o acompanhamento passo a passo de todos os desdobramentos.
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