
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou publicamente, nesta sexta-feira (16/1), a manutenção do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em regime fechado após a primeira noite na Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Em publicação nas redes sociais — apagada minutos depois —, ela afirmou que "o lugar do meu marido é em casa", reiterando a avaliação de que a prisão é injusta e reforçando a defesa pela concessão de prisão domiciliar de caráter humanitário.
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A transferência de Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para a Papudinha ocorreu na quinta-feira, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por liderar uma trama golpista com o objetivo de se manter no poder. A decisão de Moraes estabeleceu que o local deveria garantir condições adequadas de segurança e atendimento médico compatíveis com a situação do réu.
Horas depois de ordenar a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, o ministro Alexandre de Moraes participou da colação de grau da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Em um breve discurso aos formandos, Moraes fez referência bem-humorada ao tempo de três minutos que lhe foi dado para falar no evento, relacionando com o dia de trabalho na Corte. "Ninguém cumpriu os três minutos, o que quase me fez tomar algumas medidas, mas eu me contive, hoje. Acho que, hoje, já fiz o que tinha que fazer", declarou.
Antes da transferência de Bolsonaro, Michelle confirmou que teve uma reunião com Alexandre de Moraes, a quem apresentou detalhes do estado de saúde do marido, na tentativa de convencê-lo a autorizar a prisão domiciliar humanitária. Segundo relato da ex-primeira-dama, o ministro foi cordial durante o encontro, ouviu os argumentos da defesa, e ela saiu satisfeita com a receptividade, embora a decisão posterior tenha sido pela transferência ao batalhão da PM, e não pela prisão em casa.
Michelle declarou que permanece unida às filhas e aos enteados para cuidar de Bolsonaro e reconheceu que, embora a Papudinha ofereça estrutura considerada superior à de outras unidades prisionais, "a certeza da injustiça permanece". Ela também pediu apoio aos aliados, mas fez um apelo para não ser alvo de julgamentos pessoais ou rótulos de conotação política, em meio à intensa polarização que cerca o caso e às reações do campo bolsonarista ao encontro que manteve com o ministro que condenou seu marido.
Em postagens nas redes sociais, Michelle pediu aos aliados de Jair Bolsonaro que "não me levem ao tribunal do julgamento pessoal, que não se apressem em me julgar ou a criar rótulos de conotação política. Agimos sempre pedindo o discernimento de Deus".
No campo administrativo, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que passou a organizar escalas de plantão para garantir assistência médica integral a Bolsonaro na Papudinha. A unidade conta, originalmente, com atendimento médico apenas durante o dia e em dias úteis. Com a determinação de Moraes para que haja acompanhamento 24 horas por dia, inclusive à noite e aos fins de semana, servidores foram acionados para compor as equipes de plantão.
Direita dividida
A mudança de local também dividiu reações entre os bolsonaristas. Filho 01 do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)criticou a medida com uma comparação: "Se fosse com o ex-presidente Michel Temer, Alexandre de Moraes estaria agindo da mesma forma?".
O pastor Silas Malafaia elogiou publicamente a transferência,classificando a Papudinha como "um lugar melhor" para o ex-presidente. Ele atribuiu a mudança à atuação de Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para Malafaia, trata-se de uma "vitória por etapas", embora tenha reiterado a narrativa de perseguição política e defendido que o objetivo final continue sendo a prisão domiciliar.
A Papudinha é destinada a presos com prerrogativas específicas e abriga, no mesmo espaço, outros condenados em processos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, como o ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques. A sala ocupada por Bolsonaro tem cerca de 65m², banheiro, cozinha, lavanderia e área externa privativa, além de cama de casal, armários, geladeira e televisão. A defesa poderá providenciar equipamentos de fisioterapia e adaptações de segurança.
Enquanto a defesa insiste no pedido de prisão domiciliar por razões humanitárias, a transferência e as decisões de Moraes seguem repercutindo no meio político e jurídico. Aliados mantêm críticas ao processo e reforçam o discurso de injustiça, enquanto o STF sustenta que as medidas adotadas atendem às condições legais e de segurança estabelecidas pela Corte.

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