Com a volta dos trabalhos legislativos, a partir de segunda-feira, o Congresso também vai se debruçar sobre o escândalo do Banco Master, que tem mobilizado Polícia Federal e Supremo Tribunal Federal (STF) na investigação sobre fraudes na instituição financeira liquidada, em novembro passado, pelo Banco Central.
Uma das linhas de ação parte da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que espera tomar o depoimento, na quinta-feira, do dono do Master, Daniel Vorcaro, além do presidente da autarquia, Gilberto Waller Júnior, e do empresário Maurício Camisotti, do grupo Total Health. O colegiado pretende esclarecimentos sobre os 250 mil contratos de empréstimos consignados que Master tinha em carteira e que foram suspensos pelo INSS por falta de comprovação de que foram autorizados pelos beneficiários.
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Ao Correio, o senador afirmou que a iniciativa tem caráter institucional e técnico. Segundo ele, a CPMI atua de forma objetiva, com foco nos prejuízos causados a aposentados e pensionistas, e busca esclarecer como as operações financeiras investigadas foram estruturadas, quais controles existiam e onde ocorreram falhas.
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Moraes
Em outra frente, o senador Izalci Lucas (PL-DF) defendeu a convocação da advogada Viviane Barci de Moraes — casada com ministro Alexandre de Moraes, do STF, — pela CPI do Crime Organizado, no Senado. Segundo o parlamentar, é necessária uma "explicação clara e urgente" sobre o suposto contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Master e o escritório de Viviane.
Izalci Lucas também pontuou que decisões recentes do STF, especialmente envolvendo Moraes e Toffoli, indicariam uma tentativa de blindagem. "Parece haver um esforço para impedir que a verdade venha à tona, especialmente quando o assunto é o Banco Master e suas conexões", frisou.
O parlamentar também defendeu que a discussão sobre o Banco Master seja centralizada em uma única comissão, pois o debate em vários locais pode dispersar e favorecer quem tenta ocultar informações. "Quando o debate é espalhado, autoridades usam uma comissão para se justificar na outra, e o foco se perde", argumentou.
Os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES) protocolaram, na quinta-feira, uma série de requerimentos no âmbito da CPI do Crime Organizado. Entre eles, está o pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal de Viviane.
A iniciativa de Girão também inclui pedido para que Toffoli seja convidado a comparecer à comissão. Já Magno Malta apresentou requerimento para a convocação de Mario Umberto Degani, primo de Toffoli e ex-sócio do Resort Tayayá, cujas relações com o Banco Master estão sob investigação.
Provocação política
Já o deputado Rogério Correia (PT-MG) criticou a tentativa da oposição de convocar familiares de magistrados ao Congresso, classificando a iniciativa como uma provocação política do bolsonarismo. Na avaliação dele, esse tipo de movimento busca enfraquecer o Judiciário.
"Eu não vi nenhum requerimento formal, mas isso é mais uma provocação do bolsonarismo, uma ideologia que tenta enfraquecer o Supremo com esse 'lero-lero' de sempre", afirmou ele ao Correio.
Parlamentares ainda defendem comissões parlamentares específicas para o Master. Na Câmara, há requerimento para a instalação do colegiado, protocolado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), com 193 assinaturas. No Senado, Girão sustenta já ter a adesão necessária, de 27 signatários, para a instauração.
Há também requerimentos de CPMIs protocolados pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e pelas deputadas Fernanda Melchionna (PSol-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ). Já o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) informou, em entrevista ao Correio, ter assinaturas suficientes para a instauração de uma comissão com a participação de deputados e senadores.
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