
A Polícia Federal foi autorizada a confrontar os depoimentos do ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL) e do deputado José Rocha (União Brasil-BA) no inquérito que investiga a destinação de emendas parlamentares no modelo do antigo orçamento secreto. A decisão é do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
A acareação foi determinada após a identificação de versões divergentes apresentadas pelos dois parlamentares à PF sobre a indicação de recursos orçamentários. A medida integra a investigação que deu origem à Operação Transparência, deflagrada em dezembro do ano passado.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
Será a primeira vez que Arthur Lira prestará depoimento à Polícia Federal no âmbito desse inquérito. O procedimento apura possíveis irregularidades envolvendo as emendas de relator — mecanismo que dificultava a identificação dos autores das indicações e que acabou sendo proibido pelo STF.
A Operação Transparência teve como alvo a ex-assessora da Presidência da Câmara Mariangela Fialek, conhecida como Tuca. Na ocasião, agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão no antigo gabinete da servidora e em sua residência, recolhendo celulares, computador e anotações. O material apreendido segue sob análise.
Petição
A decisão de Dino de autorizar a acareação foi tomada após a Advocacia da Câmara dos Deputados apresentar uma petição ao Supremo questionando os fundamentos das buscas realizadas no Legislativo. Segundo os advogados, a medida teria sido baseada em informações consideradas imprecisas.
De acordo com a manifestação, essas informações teriam sido fornecidas pelo deputado José Rocha, que está entre os parlamentares ouvidos no inquérito. Nos depoimentos, ele e outros congressistas apontaram Mariangela como responsável pela operacionalização do chamado orçamento secreto.
- Leia também: PF mira controladora de emendas
Além de Rocha, também prestaram esclarecimentos à Polícia Federal os deputados Glauber Braga (PSol-RJ), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP) e Dr. Francisco (PT-PI), além do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).
Na mesma petição enviada ao STF, a Advocacia da Câmara sustentou que o próprio José Rocha teria adotado condutas irregulares na indicação de emendas ao longo de 2024, período em que presidia a Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional (Cindre). A suposta contradição motivou a decisão do relator de colocar os parlamentares frente a frente para esclarecimentos formais.

Política
Política
Política