ENTREVISTA

Erika Hilton mira comando da Comissão da Mulher neste ano

Em entrevista ao Correio, a parlamentar detalhou seus planos para 2026, que incluem também a busca pela reeleição

Segundo a deputada, a ideia é que sua gestão tenha um efeito não só de enfrentar todos os debates relacionados à vida da mulher, mas também icluir a agenda do transfeminicídio -  (crédito: Raphaela Peixoto/CB/D.A Press)
Segundo a deputada, a ideia é que sua gestão tenha um efeito não só de enfrentar todos os debates relacionados à vida da mulher, mas também icluir a agenda do transfeminicídio - (crédito: Raphaela Peixoto/CB/D.A Press)

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) almeja assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher neste ano. Se concretizado, o colegiado terá pela primeira vez que uma mulher trans no comando.

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"Agora em 2026 nós queremos assumir a presidência da Comissão da Mulher, porque achamos extremamente importante termos, pela primeira vez na história, uma travesti ocupando esse lugar em um momento de tantos ataques à agenda trans de maneira nacional e internacional", revelou parlamentar em entrevista ao Correio.

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O plano de Hilton para a comissão visa ampliar o escopo das políticas de gênero. Segundo a deputada, a ideia é que sua gestão tenha um efeito não só de enfrentar todos os debates relacionados à vida da mulher, mas também incluir a agenda do transfeminicídio.

"Estamos articulando e trabalhando para que esse movimento seja consagrado e para que a nossa atuação na presidência da Comissão da Mulher tenha um efeito não só de enfrentar todos os debates que tenham a ver com a vida da mulher, mas também trazer para dentro dessa agenda, a agenda do transfeminicídio. Porque na escalada de violência, ódio e ataque contra as mulheres, nós presenciamos um processo onde mulheres transvestidas foram esquecidas, abandonadas nesse debate".

A parlamentar ainda enfatizou que, ao mesmo tempo que conduz a Proposta de Emenda a Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6x1, pautas voltadas ao debate sobre mulheres, dos direitos reprodutivos e violência de gênero não foram secundarizados ao longo do mandato.

"A nossa atuação dentro do parlamento, mas também nas redes e nas ruas, foi muito importante para trazer o conjunto da sociedade. Assim como nós trouxemos o conjunto da sociedade para o debate do 6x1, nós trouxemos o conjunto da sociedade para o debate da dosimetria, o PL do estupro, criança não é mãe e tantas outras matérias que para nós são importantes", reforçou Hilton.

Para o pleito de 2026, Erika Hilton confirmou que será candidata à reeleição como deputada federal. Embora seu nome tenha sido alvo de especulações para cargos no Senado, a deputada garante que a opção pelo Senado é inviável por questões etárias. "Sou jovem e não tenho idade para ir ao Senado", afirmou, descartando também qualquer pretensão ao Governo de São Paulo neste ciclo.

Ao analisar o cenário para as próximas eleições, a deputada fez duras críticas à fragmentação do seu campo político. Erika reiterou sua visão sobre o que chama de "esquerda burra", referindo-se à tendência de setores progressistas de combater lideranças internas com alto potencial de alcance em vez de potencializá-las.

"A direita sabe aproveitar esses lugares quando são necessários", comparou, defendendo que a esquerda precisa de mais senso de coletividade e colaboração para enfrentar o fascismo e o campo antidemocrático. Para Hilton, o sucesso eleitoral em 2026 dependerá da capacidade do campo de identificar e valorizar figuras que consigam capitanear a audiência das redes e o carisma com a sociedade.

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postado em 12/02/2026 16:21
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