
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira (25/2), a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt Participações S.A., que tem como sócio o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. A decisão foi tomada durante reunião do colegiado, que apura possíveis conexões entre instituições financeiras e organizações criminosas.
Além da medida, os parlamentares autorizaram o convite para que a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, preste depoimento à CPI. O objetivo é esclarecer um contrato de prestação de serviços advocatícios que ela teria firmado com o banco Master, instituição no centro das investigações conduzidas pela comissão.
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A ofensiva da CPI ocorre semanas após Toffoli deixar a relatoria dos inquéritos que investigam fraudes envolvendo o banco Master no STF. À época, o ministro foi alvo de críticas no Congresso e admitiu ser sócio da Maridt, empresa familiar que realizou operações financeiras com um fundo administrado por Fabiano Campos Zettel, cunhado do empresário Daniel Vorcaro.
O requerimento que embasou a quebra de sigilo foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). No pedido, o parlamentar solicita que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhe à CPI dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos da Maridt Participações no período entre 1º de janeiro de 2022 e 8 de fevereiro de 2026.
Segundo Vieira, a apuração busca identificar eventual conflito de interesses do ministro do STF no caso Master, a partir das relações financeiras da empresa de sua família. No texto, o senador afirma que os fatos indicam “risco à moralidade pública” e defende que a medida é necessária para garantir transparência e o cumprimento do dever constitucional da comissão.
No mesmo contexto, a CPI aprovou a convocação dos irmãos de Dias Toffoli, José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli, também apontados como sócios da Maridt. Já no caso de Viviane Barci de Moraes, o colegiado optou por um convite — e não convocação — após avaliação da advocacia do Senado, em razão do sigilo profissional entre advogada e cliente. Também foram aprovados convites para que os ministros Toffoli e Alexandre de Moraes prestem esclarecimentos, sem obrigatoriedade de comparecimento.

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