Crime organizado

Polícia Federal indicia presidente da Alerj

Inquérito enviado ao Supremo Tribunal Federal aponta suspeitas de organização criminosa, obstrução de investigação e tráfico de influência no Rio de Janeiro

TH Joias (E) teria sido informado por Rodrigo Bacellar (D) de que seria alvo de operação da Polícia Federal por envolvimento com facção criminosa  -  (crédito: Reprodução/Redes sociais)
TH Joias (E) teria sido informado por Rodrigo Bacellar (D) de que seria alvo de operação da Polícia Federal por envolvimento com facção criminosa - (crédito: Reprodução/Redes sociais)

A Polícia Federal finalizou o inquérito em que o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União), e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, são suspeitos por suposto envolvimento em um esquema de tráfico de influência e interferência institucional no estado. O relatório foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde ficará sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

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Segundo a PF, os investigados teriam atuado em articulações que envolvem organização criminosa, obstrução de investigação e favorecimento pessoal. Caberá ao STF analisar o material e decidir sobre os próximos passos do caso. Eles são apontados como braço político da fação Comando Vermelho (CV).

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Além de Bacellar e TH Joias, também foram indiciados Flávia Judice, Jéssica Santos e Thárcio Salgado, identificado como ex-assessor parlamentar. De acordo com a investigação, este último teria exercido o papel de operador financeiro em um contexto apurado de ligação com a facção criminosa.

O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), Macário Judice Neto, que chegou a ser preso durante as apurações, não foi formalmente indiciado. A PF informou que a Lei Orgânica da Magistratura impede o indiciamento de magistrados na fase policial. A situação dele será analisada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

O inquérito reúne interceptações telefônicas, quebras de sigilo bancário e telemático, imagens de câmeras de segurança e dados extraídos de celulares. Segundo a PF, as provas apontam para a existência de articulações entre agentes políticos e integrantes do Judiciário fluminense, além do uso de linhas telefônicas registradas em nome de terceiros para ocultar comunicações.

Também foram apreendidos documentos no gabinete de Bacellar. Entre o material, há registros de pedidos atribuídos a congressistas e indícios de manobras para ocultar movimentações financeiras. A investigação ainda aponta possíveis tentativas de uso da estrutura pública para fins eleitorais e interesses pessoais.

Entenda o caso

TH Joias foi detido em 3 de setembro por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é suspeito de negociar armas — como fuzis — e equipamentos antidrones para o CV e de usar o mandato para favorecer a facção criminosa.

A suspeita de vazamento da Operação Zargun foi levantada pelo procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, no dia da prisão de TH Joias. Naquele mês, ele anunciou a abertura de investigação sobre possível vazamento de informações da operação, após indícios de tentativa de fuga e destruição de provas. As investigações da Operação Zargun identificaram um esquema de corrupção envolvendo a liderança do CV no Complexo do Alemão e agentes políticos e públicos, incluindo um delegado da PF, policiais militares e TH Joias.

A organização, segundo a PF, se infiltrou na administração pública "para garantir impunidade e acesso a informações sigilosas, além de importar armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais".

Unha e carne

Rodrigo Bacellar foi preso em 12 de dezembro pela PF, no âmbito da Operação Unha e Carne. A ordem de prisão foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, a chamada "ADPF das Favelas". De acordo com o magistrado, os federais argumentaram que Bacellar orientou TH Joias na "remoção de objetos de sua residência", indicando um envolvimento direto "no encobrimento do investigado à atuação dos órgãos de persecução penal".

O ex-presidente da Alerj renovou o pedido de licença do mandato e da função de comando do Poder Legislativo fluminense. Ele estava à frente da Assembleia desde 2023, mas pediu afastamento do cargo em 10 de dezembro do ano passado. Nesse período, chegou a ocupar interinamente o cargo de governador na ausência do titular Cláudio Castro (PL).

Cinco dias depois da prisão, o plenário da Alerj decidiu, por 42 x 21, pela soltura de Bacellar. "Em relação ao presidente da Assembleia Rodrigo Bacellar, inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas. Dessa forma, arbitrário e abusivo o indiciamento efetivado, realizado muito mais para justificar a ação açodada da Autoridade Policial, do que respaldada em elementos sérios e comprometedores", declarou o advogado criminalista Daniel Leon Bialski, que defende o ex-presidente da Alerj.

Bacellar era apontado como o nome que Cláudio Castro apontaria para disputar, com seu apoio, o Palácio Gunabara, em outubro. O ex-presidente da Alerj concorreria ao cargo como representante do bolsonarismo, mas a possibilidade de envolvimento com o CV fez com que fosse abandonado na disputa eleitoral. (Com Agência Estado)

 


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postado em 28/02/2026 03:55
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