
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta terça-feira (10/3) que o governo pretende avançar no debate sobre a redução da jornada de trabalho em articulação com a Câmara dos Deputados. Segundo ele, a estratégia é priorizar as propostas já em tramitação no Congresso, após conversa com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A declaração foi dada após audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que iniciou o ciclo de discussões sobre propostas de emenda à Constituição relacionadas à diminuição da carga horária semanal e ao fim da escala 6x1.
De acordo com Marinho, o tema foi discutido em reunião realizada mais cedo com Motta e integrantes do governo. “Tivemos uma conversa com o presidente Hugo Motta e ele manifestou o desejo de aprovar rapidamente o projeto sobre o trabalho por aplicativos para depois a Câmara se debruçar sobre o debate da jornada de trabalho”, afirmou.
Segundo o ministro, a intenção é utilizar as propostas já apresentadas no Congresso como base para a discussão, evitando, neste momento, o envio de um novo projeto pelo Executivo. “Não vejo necessidade do governo pensar agora em mandar um projeto de lei. Os projetos que estão à disposição nas Casas podem responder à necessidade de evoluir esse debate”, disse.
Debate com setores econômicos
Marinho afirmou que o governo pretende aprofundar mais os estudos técnicos sobre o tema antes de qualquer mudança legislativa. Os levantamentos, segundo ele, estão sendo desenvolvidos em parceria com instituições de pesquisa e universidades.
Entre os órgãos citados estão o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de especialistas que analisam os impactos da redução da jornada no mercado de trabalho. “O governo está buscando debater os assuntos, apresentar estudos e dialogar também com o setor empresarial para verificar os impactos em cada setor da economia”, afirmou.
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Fim da escala 6x1
Durante a entrevista, o ministro voltou a defender o fim da escala de trabalho conhecida como 6x1, em que o funcionário cumpre expediente de seis dias e descansa apenas um.
Para ele, o modelo tem sido alvo de críticas crescentes da população, especialmente entre jovens trabalhadores. “A escala 6x1 é uma jornada cruel, em especial para as mulheres. A juventude trabalhadora pede essa atenção e quer mais tempo para viver”, afirmou.
De acordo com o titular da pasta, jornadas mais extensas podem contribuir para problemas de saúde, acidentes de trabalho e afastamentos. “Ambientes hostis geram doenças mentais, acidentes e absenteísmo, além de impactar a produtividade”, disse.
Clima político
Marinho também avaliou que há espaço para o avanço do tema no Congresso, mesmo em ano eleitoral.
Para ele, a audiência realizada na CCJ demonstrou abertura de parlamentares de diferentes correntes políticas para discutir a proposta. “Eu senti uma aderência importante. Tem gente de direita, de esquerda, liberais. Tirando alguma estridência, há ambiente para caminhar”, afirmou.
O ministro disse que o governo continuará acompanhando a tramitação das propostas e poderá avaliar novas medidas caso o debate não avance no Parlamento.

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