
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados iniciou nesta terça-feira (10/3) o ciclo de audiências públicas para discutir a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho no país. Na abertura dos debates, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o governo apoia a diminuição da carga horária máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário e com dois dias de descanso.
“Estamos falando de 40 horas como jornada máxima, sem redução de salário, com duas folgas na semana. Isso é essencial para atender à reivindicação da grande massa de trabalhadores e trabalhadoras do Brasil”, declarou o ministro durante a audiência.
A sessão foi conduzida pelo presidente da comissão, o deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA), que destacou a relevância social, econômica e jurídica do tema ao abrir os trabalhos. Segundo ele, o objetivo é fomentar o debate antes da análise da admissibilidade da proposta. “O objetivo é ampliar o diálogo institucional e assegurar que o Parlamento disponha de diferentes perspectivas para que seja entregue à sociedade brasileira uma proposta legislativa qualificada”, afirmou.
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Durante a exposição, Marinho ressaltou que a discussão sobre redução da jornada de trabalho envolve não apenas ganhos para os trabalhadores, mas também efeitos positivos para a economia. O ministro citou impactos como melhora na saúde mental, redução de afastamentos e aumento da produtividade.
Ele também destacou que o debate ocorre em meio a mudanças no perfil do mercado de trabalho, especialmente entre os jovens. “O que está embutido nesse debate é a necessidade de ter mais tempo para a vida, para a família, para o estudo, para a cultura e para viver melhor”, disse.
O ministro ponderou, contudo, que a proposta original de redução para 36 horas semanais exige análise mais aprofundada. Na avaliação do governo, a mudança para 40 horas seria mais viável no momento. “Nós estamos seguros de que a redução da jornada para 40 horas semanais é plenamente factível e sustentável”, afirmou.
Na audiência, a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do ministério, Paula Montagner, apresentou dados preliminares baseados em informações do Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas, conhecido como e-Social.
Segundo ela, o estudo indica que a transição da jornada de 44 para 40 horas semanais, com escala de cinco dias de trabalho por dois de descanso, é “viável, estratégica e benéfica”.
De acordo com os dados apresentados, cerca de 50,3 milhões de trabalhadores estavam empregados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em dezembro de 2025. Desses, aproximadamente dois terços já trabalham em escala de cinco dias por semana.
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Debate sobre admissibilidade
Relator da matéria na comissão, o deputado Paulo Azi (União-BA) afirmou que o tema exige responsabilidade e construção de consenso entre trabalhadores e empregadores. “O que pior pode acontecer é que uma matéria de tamanha relevância seja contaminada pelo populismo e pela demagogia”, disse. Ele destacou que a CCJ tem como função analisar a admissibilidade da proposta, mas considerou inevitável que o debate sobre os impactos econômicos e sociais também seja iniciado nesta fase da tramitação.
Autor de uma das propostas apensadas, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) afirmou que a sociedade brasileira já caminha para um modelo de jornada com dois dias de descanso semanal. Na avaliação do parlamentar, a mudança pode ampliar a formalização no mercado de trabalho e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. “Chegou a hora de colocar um ponto final nessa escala 6 por 1.”
Divergências
Durante a audiência, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) questionou a realização de discussões amplas sobre o tema na CCJ, argumentando que a comissão deveria se limitar à análise constitucional da proposta. “A proposta de emenda à Constituição será analisada aqui quanto à admissibilidade. O debate sobre o mérito cabe à comissão especial”, apontou. O petista teceu críticas ao relator da proposta, Paulo Azi, em decorrência às declarações do presidente do União Brasil, Antonio Rueda, que disse “ter o objetivo de barrar a matéria da redução da jornada trabalhista na CCJ”.
A avaliação foi contestada pela deputada Júlia Zanatta (PL-SC), que defendeu a realização de debates amplos na comissão. “Essa comissão historicamente debateu temas importantes, mesmo quando tratava apenas da admissibilidade”, afirmou.

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