Escândalo do INSS

Viana sobre escândalo do INSS: "Outras prisões virão"

O presidente da CPMI afirmou em coletiva que as investigações estão avançando, citou novas frentes e defendeu a prorrogação da comissão

"Não estamos falando de uma única organização. Há pelo menos três grupos atuando de forma paralela, utilizando mecanismos semelhantes e, em alguns casos, os mesmos servidores", disse Viana - (crédito: Danandra Rocha/CB/DA.Press)

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), adiantou nesta terça-feira (17/3) que novas prisões devem ocorrer no âmbito das investigações sobre fraudes em benefícios previdenciários. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa, após a deflagração de mais uma fase da operação da Polícia Federal.

O senador também mencionou a deputada Maria Gorete Pereira, apontada como uma das figuras centrais do esquema sob apuração. Segundo ele, a parlamentar foi reiteradamente mencionada durante os trabalhos da comissão, inclusive pelo relator. A operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga desvios relacionados a descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social.

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“Outras prisões virão”, disse Viana ao comentar o avanço das apurações que, segundo ele, caminham em sintonia com os trabalhos da CPMI. O senador ressaltou que alvos atingidos na operação de hoje já haviam sido citados ou ouvidos pela comissão, indicando convergência entre as investigações parlamentares e policiais.

De acordo com Carlos Viana, o número de presos ligados ao caso já chega a 14, e há expectativa de ampliação desse total à medida que novas provas forem consolidadas. Ele destacou ainda que as investigações apontam para a atuação de mais de um grupo criminoso dentro da estrutura da Previdência.

“Não estamos falando de uma única organização. Há pelo menos três grupos atuando de forma paralela, utilizando mecanismos semelhantes e, em alguns casos, os mesmos servidores”, afirmou.

O presidente da CPMI também comentou suspeitas envolvendo integrantes do próprio INSS. Segundo ele, há indícios de participação de servidores públicos em diferentes níveis da administração, seja por ação direta, seja por omissão. Viana mencionou que pareceres internos teriam sido utilizados para viabilizar práticas irregulares, o que pode configurar prevaricação.

Outro ponto abordado foi a dimensão financeira do esquema. Embora os valores ainda estejam sendo consolidados, o parlamentar indicou que o montante desviado pode ser elevado, considerando o período de atuação das fraudes, estimado entre “12 e 15 anos”.

Apesar da repercussão política do caso, Viana afirmou que o foco da CPMI permanece na apuração técnica dos fatos. Ele defendeu a prorrogação dos trabalhos da comissão como forma de aprofundar as investigações e garantir responsabilização.

“Estamos diante de um escândalo que envergonha o país. Nosso compromisso é esclarecer os fatos e impedir que esse tipo de fraude volte a ocorrer”, concluiu.

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postado em 17/03/2026 12:16 / atualizado em 17/03/2026 12:17
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