O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, deferiu o pedido da Polícia Federal, enviado na terça-feira (18/3) para seu gabinete, e autorizou a prorrogação, por mais 60 dias, do inquérito que investiga o Banco Master. O despacho foi publicado nesta quarta-feira (18), garantindo a continuidade das apurações conduzidas pela corporação.
O inquérito nº 5026 apura irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Na última semana, o Correio antecipou a informação de que a Polícia Federal faria o pedido de prorrogação, especialmente, por conta da terceira fase da operação Compliance Zero. Nesta fase, foram encontradas mais provas e indícios de outros envolvidos no esquema, que se tornou um dos maiores escândalos financeiros do país.
A princípio, o inquérito teria que ser finalizado em 16 de janeiro, mas o prazo já foi prorrogado por mais 60 dias, se encerrando na segunda-feira (16/3). A Operação Compliance Zero foi iniciada em novembro de 2025.
Esse tipo de pedido acontece quando não há tempo hábil para que a polícia analise provas, realize perícias e outras atividades típicas da investigação dentro do prazo estabelecido. A primeira prorrogação foi autorizada pelo antigo relator do caso no STF, ministro Dias Toffoli. A nova prorrogação agora precisa ser autorizada pelo novo relator, ministro André Mendonça.
Compliance Zero
O caso é investigado no âmbito da operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025, quando foram cumpridos mandados contra integrantes da alta cúpula do banco. Entre os alvos está o presidente da instituição, Daniel Vorcaro, apontado como figura central de um esquema que envolve a criação de carteiras de crédito fictícias e o desvio de recursos. As estimativas preliminares indicam prejuízos que podem superar R$ 12 bilhões.
As investigações também avançaram sobre a relação entre o banco privado e o setor público. A Justiça determinou o afastamento de Paulo Henrique Costa, à frente do Banco de Brasília, sob suspeita de participação em operações financeiras irregulares que teriam beneficiado o Banco Master.
Na segunda fase da operação, deflagrada em janeiro de 2026, o foco se voltou ao rastreamento de valores desviados e à recuperação de ativos. Na ocasião, foram bloqueados R$ 5,7 bilhões em bens e cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Carros de luxo e dinheiro em espécie foram apreendidos durante as diligências.
O avanço mais recente da investigação, em março, revelou um possível mecanismo de pressão sobre adversários e interferência institucional. De acordo com a Polícia Federal, o grupo mantinha uma estrutura informal, conhecida como “A Turma”, utilizada para monitorar e intimidar críticos, incluindo jornalistas.
Além disso, surgiram indícios de cooptação de servidores do Banco Central, que teriam atuado como intermediários para facilitar processos regulatórios e repassar informações sigilosas ao grupo investigado. Diante das novas evidências, Vorcaro voltou a ser preso, e o STF determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens.
Os investigados poderão responder por crimes como gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e obstrução de justiça.