
Em coletiva nesta quinta-feira (19/3), no Senado, o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), subiu o tom ao comentar o andamento das investigações e afirmou que o escândalo em apuração ultrapassa o que se imaginava inicialmente.
“Descobrimos que parte dos investigados lavou dinheiro usando o Banco Master. O escândalo é muito maior do que a gente imaginava. Envolve parlamentares, sim. Envolve pessoas ligadas ao Judiciário, sim”, declarou.
Viana defendeu a prorrogação dos trabalhos da comissão que investiga fraude contra aposentados e pensionistas, prevista para se encerrar no fim de março. Segundo ele, há expectativa de uma decisão favorável do Supremo Tribunal Federal (STF), possivelmente por meio do ministro André Mendonça. “O Brasil quer saber o que aconteceu. Não vamos aceitar que essa CPMI termine sem respostas”, afirmou.
A fala mais contundente de Viana veio ao tratar do impacto das investigações: “Quem é dono dessa CPMI são os aposentados roubados”. O presidente da CPMI reforçou que a comissão não será “burocrática nem palco político” e prometeu ir “até o final” para responsabilizar os envolvidos
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Durante a coletiva, Carlos Viana também detalhou o foco da oitiva do representante do C6 Bank, marcada para hoje. Segundo ele, o objetivo é compreender a relação entre instituições financeiras e a Previdência na oferta de crédito consignado. O senador criticou as taxas praticadas no mercado. “Tem banco cobrando até 23% ao mês. Isso é impagável”, disse, ao argumentar que aposentados acabam presos a dívidas sem controle.
O parlamentar voltou a defender mudanças na legislação para proteger beneficiários do INSS. Relatos de descontos não autorizados e dificuldade de contestação, segundo ele, são frequentes e exigem resposta do Congresso.
Viana também comentou a possível convocação de autoridades do sistema financeiro, como o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente Roberto Campos Neto. Para o senador, ambos têm explicações a dar, especialmente sobre operações envolvendo o Banco Master.
Em outro momento, o presidente da CPMI tratou da tensão com a Polícia Federal em relação ao compartilhamento de informações. Ele afirmou que não há disputa institucional, mas ressaltou a autonomia do Legislativo. “A Polícia Federal faz um grande trabalho, mas não é superior à CPMI em absolutamente nada”, declarou.
Sobre suspeitas de vazamentos, Viana disse que determinou o armazenamento de documentos em sala-cofre e não descartou investigação interna caso informações sigilosas venham a público. “Se houver vazamento, vamos identificar quem foi.”

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