Processo disciplinar

Eduardo Bolsonaro é citado em processo da PF e pode perder o cargo na corporação

O ex-deputado reside nos Estados Unidos atualmente e tem faltas de mais de 30 dias consecutivos no cargo de escrivão de carreira da Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) formalizou, nesta segunda-feira (16/3), a citação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). O ex-parlamentar, que é escrivão de carreira da corporação, é investigado por indícios de abandono de cargo, uma infração grave que, segundo as normas do serviço público, pode resultar em demissão.

Com a publicação do edital no Diário Oficial da União (DOU), o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem agora 15 dias para apresentar sua defesa à comissão processante. A medida, assinada pela delegada Karen Cristina Dunder, foi necessária porque o ex-deputado encontra-se em "lugar incerto e não sabido".

Eduardo reside atualmente nos Estados Unidos, país para onde se mudou em fevereiro de 2025 por alegar ser vítima de perseguição política e justifica sua permanência no exterior como uma forma de se proteger de ações judiciais no Brasil.

O porquê do processo

A situação funcional de Eduardo Bolsonaro tornou-se crítica após o término de sua atuação na Câmara dos Deputados. Entenda a cronologia dos fatos:

  • Dezembro de 2025: Eduardo perde o mandato parlamentar após ser cassado por excesso de faltas;
  • Janeiro de 2026: Com o fim do afastamento para atividade política, a PF determinou seu retorno imediato às funções de escrivão;
  • Local de Trabalho: Ele deveria ter se apresentado em sua lotação de origem, na delegacia da Polícia Federal em Angra dos Reis (RJ);
  • Segundo a Corregedoria da PF, o processo apura se o servidor se ausentou do trabalho de forma intencional por mais de 30 dias consecutivos sem justificativa legal.

Antes mesmo da citação desta segunda-feira, a PF já tinha adotado medidas restritivas contra o servidor. O ex-parlamentar foi afastado preventivamente de suas funções por determinação do corregedor regional da PF no Rio de Janeiro. Na ocasião, ele foi obrigado a entregar sua arma de fogo e sua carteira funcional.

O filiado ao PL também é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo, acusação ligada à sua atuação nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras.

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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