Escândalo do INSS

Viana convoca coletiva sobre CPMI após operação da PF

Presidente da comissão falará no Senado sobre desdobramentos da investigação após nova fase da operação sobre fraudes no INSS

O senador Carlos Viana (Podemos-MG) concede, às 11h desta terça-feira (17/3), uma coletiva de imprensa no Senado Federal para tratar dos mais recentes desdobramentos envolvendo a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A fala ocorre no mesmo dia em que a Polícia Federal (PF) deflagrou uma nova fase da operação Sem Desconto, ampliando a pressão sobre os trabalhos da comissão.

A ação, conduzida em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), investiga um esquema nacional de cobranças associativas indevidas aplicadas diretamente sobre aposentadorias e pensões. Segundo as apurações, entidades utilizavam dados inseridos de forma fraudulenta em sistemas oficiais para autorizar descontos automáticos nos benefícios de segurados.

Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão e dois de prisão, além de medidas cautelares no Ceará e no Distrito Federal. As ordens foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Entre os alvos está a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE), que passou a usar tornozeleira eletrônica por determinação judicial. Também foi presa a advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente de entidades representativas de aposentados e já ouvida pela CPMI do INSS em novembro do ano passado.

As investigações apontam que Gorete Pereira teria ligação com a Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen), entidade sob suspeita de participar do esquema. De acordo com a PF, a parlamentar teria atuado na formalização de acordos com o INSS que permitiam ampliar a atuação dessas associações, incluindo a autorização de descontos diretamente nos contracheques dos beneficiários.

O inquérito também cita o empresário Natjo de Lima Pinheiro como um dos operadores do esquema, responsável por gerenciar entidades e viabilizar a movimentação de recursos. Há indícios de uso de intermediários para ocultar a origem do dinheiro.

As apurações identificaram movimentações financeiras consideradas atípicas, que somam cerca de R$ 245 mil entre 2018 e 2023. Para os investigadores, os elementos reunidos até o momento indicam a possível prática de crimes como organização criminosa, estelionato previdenciário e lavagem de dinheiro.

 

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