O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a falar de integração regional e soberania durante a X Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) no sábado (21/3), em Bogotá, na Colômbia. No encontro, Lula destacou que os minerais críticos são uma nova oportunidade para que países da região possam crescer.
"Quem quiser explorar minerais críticos, que venha se instalar e produzir aqui. E gerar desenvolvimento aqui. Nós não somos mais países colonizados. Não abriremos mão de nossa soberania", disse o presidente, que já retornou ao Brasil.
A América Latina tem a segunda maior reserva de minerais críticos e terras raras do mundo. Desses minérios depende a fabricação dos chips, baterias e placas solares que dão corpo à revolução digital e à transição energética. Lula enfatizou que é justo que a América Latina e o Caribe tenham acesso a todas as etapas das cadeias de valor, desde a extração até o produto final, do beneficiamento à reciclagem.
“Temos a oportunidade de reescrever a história da região, sem repetir o erro de permitir que outras partes do mundo enriqueçam às nossas custas. A adoção de um marco regional, com parâmetros comuns mínimos, aumentaria nosso poder de barganha junto a investidores”, citou.
Guerra e paz
Além disso, Lula pediu que os países latino-americanos, caribenhos e africanos se posicionem contra as guerras em curso no mundo, e destacou que esses conflitos são a mais recente manifestação do "colonialismo", em que países mais fortes pretendem impedir o crescimento dos demais e também se apropriar das riquezas.
O presidente chamou os países a pressionar pela mudança no Conselho de Segurança da ONU. "Somente a paz é que pode fazer com que o mundo pobre possa se desenvolver. E o que constrói a guerra? Só mortes e destruição. Queremos voltar a ter uma relação civilizada entre as nações", disse.
