Corrida eleitoral

Tebet deixa MDB para embarcar no PSB

Ministra muda de partido após três décadas mirando uma vaga no Senado, na chapa que terá Fernando Haddad como candidato ao Governo de SP

Tebet deixa o MDB para compor a chapa com Haddad pelo PSB. Ela deixará a Esplanda nos próximos dias -  (crédito:  Diogo Zacarias)
Tebet deixa o MDB para compor a chapa com Haddad pelo PSB. Ela deixará a Esplanda nos próximos dias - (crédito: Diogo Zacarias)

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, oficializou, neste sábado, sua filiação ao PSB, encerrando uma trajetória de quase 30 anos no MDB. A mudança de legenda ocorre em meio à decisão de disputar uma das duas vagas ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026.

A entrada no PSB aproxima Tebet do núcleo político do governo federal e a coloca no mesmo partido do vice-presidente Geraldo Alckmin. Em nota, a sigla destacou a "responsabilidade histórica" da filiação e elogiou o perfil da ministra, ressaltando sua experiência institucional e capacidade de diálogo.

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"Simone traz consigo uma combinação rara na vida pública brasileira: firmeza moral, experiência institucional, capacidade de dialogar com o Brasil real, coragem cívica e compromisso democrático. Advogada, professora, prefeita reeleita com 76% dos votos, vice-governadora, senadora, candidata à Presidência da República e ministra do Planejamento", diz a nota.

A decisão marca uma inflexão relevante na trajetória política da ministra, que construiu sua carreira no MDB desde 1997. Pela legenda, foi prefeita de Três Lagoas (MS), vice-governadora, senadora e candidata à Presidência da República em 2022, quando terminou em terceiro lugar. Em suas redes sociais, Tebet agradeceu ao partido e afirmou que a nova etapa será dedicada ao mesmo compromisso com a vida pública.

"O MDB, casa que me abrigou e me permitiu servir ao Brasil por quase 30 anos, também serviu de moradia segura para os brasileiros democratas perseguidos durante a longa noite do arbítrio. É a essa tarefa, nesta nova casa, que continuarei a dedicar as minhas melhores energias".

Filha do ex-senador Ramez Tebet, Simone construiu uma carreira marcada por protagonismo em espaços historicamente dominados por homens. Foi a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e teve atuação destacada em momentos-chave, como o impeachment de Dilma Rousseff e a CPI da Covid. A trajetória reforça o discurso adotado pelo PSB ao recebê-la, de que sua chegada agrega densidade política e experiência a um projeto que busca ampliar influência no Congresso.

A candidatura ao Senado já vinha sendo gestada nos bastidores. No último dia 12, durante evento em Campo Grande (MS), a ministra confirmou que pretende concorrer por São Paulo. Segundo ela, a decisão foi influenciada por conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com Alckmin, além de um processo de reflexão pessoal.

"Política é missão", afirmou Tebet ao justificar a entrada na disputa. A ministra também destacou a relação com o eleitorado paulista, lembrando que foi no estado onde obteve seu melhor desempenho na eleição presidencial de 2022, concentrando mais de um terço de seus votos.

A decisão de disputar o Senado também passou por um processo pessoal, segundo relatou a própria ministra. Tebet contou que, antes de confirmar a candidatura, buscou o aval da família, especialmente da mãe, com quem desejava estar mais próxima após anos de vida pública intensa. A escolha, segundo ela, foi tomada após ponderar o "chamado" político e o papel que poderia desempenhar no cenário nacional. O gesto evidencia o peso simbólico atribuído à candidatura, tratada por aliados como uma missão estratégica em um momento de reorganização das forças políticas no país.

Nos bastidores, a expectativa é de que a movimentação integre uma estratégia mais ampla do campo governista em São Paulo. Há projeções de que Tebet componha a chapa encabeçada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em uma aliança que incluiria ainda a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, como outra candidata ao Senado.

A mudança de partido também resolve um impasse regional. Embora o MDB integre a base do governo federal, em São Paulo a legenda é comandada por setores alinhados à oposição, como o prefeito da capital, Ricardo Nunes. O cenário dificultava a viabilidade de uma candidatura de Tebet pela sigla no estado.

Levantamento do Datafolha, realizado entre 3 e 5 de março com 1.608 entrevistados em 71 municípios paulistas, indica um cenário competitivo para a disputa. Em um dos cenários testados, Haddad lidera com 30% das intenções de voto, seguido por Tebet, com 25%, e por Márcio França, com 20%. Marina Silva aparece com 18%.

Outros nomes também figuram na pesquisa, como Guilherme Boulos (14%) e Guilherme Derrite (14%), esse último apontado como o candidato mais competitivo do campo da direita até o momento.

Na eleição de 2026, os eleitores escolherão dois senadores por estado, já que dois terços das cadeiras estarão em disputa. O desenho atual indica vantagem para nomes ligados ao governo federal, embora o quadro ainda esteja em formação.

A ministra ainda não definiu a data exata de saída do cargo, mas a expectativa é de que a desincompatibilização ocorra até o fim de março, dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral.

 


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postado em 22/03/2026 03:21
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