
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, oficializou, neste sábado, sua filiação ao PSB, encerrando uma trajetória de quase 30 anos no MDB. A mudança de legenda ocorre em meio à decisão de disputar uma das duas vagas ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026.
A entrada no PSB aproxima Tebet do núcleo político do governo federal e a coloca no mesmo partido do vice-presidente Geraldo Alckmin. Em nota, a sigla destacou a "responsabilidade histórica" da filiação e elogiou o perfil da ministra, ressaltando sua experiência institucional e capacidade de diálogo.
"Simone traz consigo uma combinação rara na vida pública brasileira: firmeza moral, experiência institucional, capacidade de dialogar com o Brasil real, coragem cívica e compromisso democrático. Advogada, professora, prefeita reeleita com 76% dos votos, vice-governadora, senadora, candidata à Presidência da República e ministra do Planejamento", diz a nota.
A decisão marca uma inflexão relevante na trajetória política da ministra, que construiu sua carreira no MDB desde 1997. Pela legenda, foi prefeita de Três Lagoas (MS), vice-governadora, senadora e candidata à Presidência da República em 2022, quando terminou em terceiro lugar. Em suas redes sociais, Tebet agradeceu ao partido e afirmou que a nova etapa será dedicada ao mesmo compromisso com a vida pública.
"O MDB, casa que me abrigou e me permitiu servir ao Brasil por quase 30 anos, também serviu de moradia segura para os brasileiros democratas perseguidos durante a longa noite do arbítrio. É a essa tarefa, nesta nova casa, que continuarei a dedicar as minhas melhores energias".
Filha do ex-senador Ramez Tebet, Simone construiu uma carreira marcada por protagonismo em espaços historicamente dominados por homens. Foi a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e teve atuação destacada em momentos-chave, como o impeachment de Dilma Rousseff e a CPI da Covid. A trajetória reforça o discurso adotado pelo PSB ao recebê-la, de que sua chegada agrega densidade política e experiência a um projeto que busca ampliar influência no Congresso.
A candidatura ao Senado já vinha sendo gestada nos bastidores. No último dia 12, durante evento em Campo Grande (MS), a ministra confirmou que pretende concorrer por São Paulo. Segundo ela, a decisão foi influenciada por conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com Alckmin, além de um processo de reflexão pessoal.
"Política é missão", afirmou Tebet ao justificar a entrada na disputa. A ministra também destacou a relação com o eleitorado paulista, lembrando que foi no estado onde obteve seu melhor desempenho na eleição presidencial de 2022, concentrando mais de um terço de seus votos.
A decisão de disputar o Senado também passou por um processo pessoal, segundo relatou a própria ministra. Tebet contou que, antes de confirmar a candidatura, buscou o aval da família, especialmente da mãe, com quem desejava estar mais próxima após anos de vida pública intensa. A escolha, segundo ela, foi tomada após ponderar o "chamado" político e o papel que poderia desempenhar no cenário nacional. O gesto evidencia o peso simbólico atribuído à candidatura, tratada por aliados como uma missão estratégica em um momento de reorganização das forças políticas no país.
Nos bastidores, a expectativa é de que a movimentação integre uma estratégia mais ampla do campo governista em São Paulo. Há projeções de que Tebet componha a chapa encabeçada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em uma aliança que incluiria ainda a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, como outra candidata ao Senado.
A mudança de partido também resolve um impasse regional. Embora o MDB integre a base do governo federal, em São Paulo a legenda é comandada por setores alinhados à oposição, como o prefeito da capital, Ricardo Nunes. O cenário dificultava a viabilidade de uma candidatura de Tebet pela sigla no estado.
Levantamento do Datafolha, realizado entre 3 e 5 de março com 1.608 entrevistados em 71 municípios paulistas, indica um cenário competitivo para a disputa. Em um dos cenários testados, Haddad lidera com 30% das intenções de voto, seguido por Tebet, com 25%, e por Márcio França, com 20%. Marina Silva aparece com 18%.
Outros nomes também figuram na pesquisa, como Guilherme Boulos (14%) e Guilherme Derrite (14%), esse último apontado como o candidato mais competitivo do campo da direita até o momento.
Na eleição de 2026, os eleitores escolherão dois senadores por estado, já que dois terços das cadeiras estarão em disputa. O desenho atual indica vantagem para nomes ligados ao governo federal, embora o quadro ainda esteja em formação.
A ministra ainda não definiu a data exata de saída do cargo, mas a expectativa é de que a desincompatibilização ocorra até o fim de março, dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral.

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