A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro alega, em nota divulgada nesta segunda-feira (30/3), não ter recebido ou exibido ao ex-presidente Jair Bolsonaro qualquer vídeo gravado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A declaração ocorre em meio à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que determinou à defesa de Bolsonaro a apresentação de esclarecimentos em até 24 horas.
"Desconhecemos o contexto e a motivação para a utilização dos termos exatos mencionados por ele na sua fala, os quais parecem ter levado a uma interpretação equivocada por parte da imprensa e de algumas autoridades. Temos convicção de que essa não era a intenção de Eduardo", disse a nota, que acrescenta que as determinações judiciais estão sendo “integralmente cumpridas”.
O episódio ocorreu após a participação de Eduardo Bolsonaro na Conservative Political Action Conference, realizada entre 25 e 28 de março, nos Estados Unidos. No vídeo publicado, ele, com o celular nas mãos, afirma que "mostraria" a gravação ao pai. "Vocês sabem por que eu estou fazendo esse vídeo? Porque eu estou mostrando para o meu pai e eu vou provar para todo mundo no Brasil que você não pode calar um movimento de forma injusta”.
Na avaliação de Moraes, a fala indica possível intermediação de comunicação com o ex-presidente, o que configuraria violação das medidas cautelares impostas. Entre elas, está a proibição absoluta do uso de celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, seja de forma direta ou por intermédio de terceiros. A decisão também determinou a ciência da Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá se manifestar sobre o caso.
Bolsonaro foi transferido para prisão domiciliar na sexta-feira (27/3), após receber alta hospitalar. A medida, com prazo inicial de 90 dias, foi concedida para que ele se recupere de um quadro de broncopneumonia.
Nota na integra
"Temos recebido vários pedidos de esclarecimento da parte de jornalistas relativamente à fala do Deputado Eduardo Bolsonaro, feita no último final de semana, durante a realização do CPAC, nos Estados Unidos.
Em relação a isso, informamos o seguinte:
Desconhecemos o contexto e a motivação para a utilização dos termos exatos mencionados por ele na sua fala, os quais parecem ter levado a uma interpretação equivocada por parte da imprensa e de algumas autoridades. Temos convicção de que essa não era a intenção de Eduardo.
Em relação ao vídeo que ele parece ter produzido, esclarecemos o seguinte: Nenhum arquivo foi encaminhado pelo deputado Eduardo para Michelle Bolsonaro. Ainda que algo tivesse sido recebido, de forma alguma o material seria mostrado ao ex-Presidente Jair Bolsonaro, uma vez que ele está proibido, por força de determinação judicial, de ter acesso a aparelhos celulares. Essa e todas as outras determinações constantes da decisão relativa à prisão domiciliar estão — e continuarão sendo — cumpridas em sua integralidade.
Resumindo:
1) Não houve recebimento de qualquer vídeo gravado no CPAC por Eduardo Bolsonaro ou outro de qualquer natureza.
2) Em consequência, não houve exibição desse ou de qualquer outro material ao ex-Presidente Bolsonaro, uma vez que as prescrições judiciais estão sendo cumpridas integralmente".
