VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Prefeito acusado de ameaçar ex usava drone e servidores para vigiá-la

Preso preventivamente e afastado do cargo, ele foi denunciado pelo Ministério Público por tentativa de feminicídio.

Prefeito afastado de Guanhães foi denunciado por tentativa de feminicídio -  (crédito: Reprodução/Redes Sociais)
Prefeito afastado de Guanhães foi denunciado por tentativa de feminicídio - (crédito: Reprodução/Redes Sociais)

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou Evandro Lott (Republicanos), prefeito de Guanhães, no Vale do Rio Doce, por ameaçar de morte a ex-mulher, com quem teve um relacionamento por quase 13 anos. De acordo com a denúncia, ele usou funcionários públicos subordinados a ele e também um drone para perseguir e monitorar os passos da ex-companheira. Por determinação judicial, ele foi afastado do cargo e está preso preventivamente desde o último 1º de abril. 

Ele vai responder pelos crimes de ameaça qualificada, perseguição, violência psicológica e posse de arma de fogo. O prefeito teria ameaçado a ex-companheira de morte por estar inconformado com o término do relacionamento conjugal, formalizado em fevereiro do ano passado, afirma a denúncia.

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O MPMG pediu à Justiça a manutenção da prisão preventiva e o desmembramento das investigações para a apuração de outros possíveis crimes: feminicídio tentado, adulteração de sinal identificador de veículo automotor, crimes contra a administração pública (rachadinha), abuso de autoridade e utilização indevida de bens e serviços custeados pelo município.

Ameaça qualificada

Conforme as investigações, por meio de um aplicativo de mensagens, ele teria enviado à vítima uma imagem de uma arma de fogo. Em outra ocasião, em conversa gravada por sua ex-mulher, Lott teria declarado que não aceitaria a separação, afirmando que iria “reconquistá-la” e que “ela não seria de mais ninguém”, chegando a mencionar que, quando acreditou ter sido traído, “teve vontade de matá-la”. Além disso, conforme relato de uma testemunha, ele também teria ameaçado contratar uma pessoa para matá-la. 

O denunciado, segundo o MPMG, de forma livre, consciente e reiterada, perseguiu a vítima, sua ex-companheira e ex-cônjuge, perturbando-lhe a liberdade e a privacidade, restringindo-lhe a capacidade de locomoção e de autodeterminação, mediante vigilância constante, ameaças e monitoramento de seus movimentos.

Violência psicológica

Para o MPMG, o denunciado causou dano emocional à ex-companheira, prejudicando e perturbando a vítima no pleno desenvolvimento e autodeterminação, mediante coação, isolamento, vigilância constante, perseguição, constrangimento, ridicularização, manipulação, controle e outras condutas caracterizadoras de violência psicológica.

Inicialmente, após descobrir que a então companheira desejava o divórcio, no ano de 2024, durante sua campanha política, o denunciado a pressionou para que não deixasse a residência e não tornasse pública a intenção de separação, alegando necessitar do apoio de igrejas evangélicas durante o período eleitoral.“De forma extremamente grave, o agressor passou a utilizar em sua campanha política os abusos sexuais sofridos pela vítima durante a infância e adolescência, expondo-a publicamente, causando-lhe profundo constrangimento e sentimento de exposição”, destaca a denúncia.

Ainda conforme o MPMG, o prefeito obrigava a ex-mulher a manter aparência pública de relacionamento, mesmo após a separação de corpos. E também a chamava de louca, diante de terceiros, quando ela apresentava crises de choro. 

Posse de arma de fogo 

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão decorrentes da investigação feita pelo MPMG, foi localizado um revólver, calibre .38, no interior de um cofre no quarto do denunciado, em sua residência. Já na propriedade rural vinculada ao denunciado (chácara), foi localizada uma espingarda calibre .36.

No entendimento do MPMG, o denunciado deve seguir preso preventivamente. “Ele demonstrou periculosidade concreta ao submeter a vítima a regime de ‘cárcere psicológico’ e violência sistemática, demonstrando inclinação à manipulação de provas (coação de testemunhas para assumirem posse de armas de fogo) e ao uso de seu poder econômico e político para obstruir a justiça. Além disso, o comportamento de constante esquiva e a fuga do investigado durante as buscas evidenciam o risco real de que venha a se furtar à aplicação da lei penal”, ressalta a denúncia.

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postado em 23/04/2026 18:10
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