
O plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu, nesta quinta-feira (23/4), dar sequência às investigações contra o Google. A big tech é acusada de disponibilizar conteúdo jornalístico por meio de inteligência artificial (IA) generativa sem remuneração a veículos de mídia. O inquérito administrativo inicial foi instaurado em 2019. No entanto, os conselheiros enxergaram a necessidade de rever a pauta, já que houve evolução tecnológica desde então.
A IA generativa tem como foco principal a criação de conteúdos no formato de texto, áudio e vídeo. Por meio dos recursos citados, segundo o Cade, a empresa fornecia informações aos internautas de forma rápida. No entanto, houve a argumentação, durante a investigação original em 2019, de que a prática era anticompetitiva dentro do mercado de notícias. Além disso, os veículos afirmaram que, por isso, a remuneração acabava como "não adequada", e que o fluxo de consumidores acaba restringido.
O fator que conduz a investigação é o ato feito pelo Google chamado de "raspagem" (scraping, em inglês). O termo se refere à disponibilização de conteúdo jornalístico proveniente de outros sites por parte da empresa, que é responsável por pegar a notícia e exibi-la na página de busca. Dessa forma, faz que a notícia seja consumida mais rapidamente sem a necessidade de entrar em um site.
Foi determinado, em sessão nesta quinta, em unanimidade pelo plenário, que os autos retornassem à Superintendência-Geral (SG) para instauração de um processo administrativo para que sanções administrativas fossem impostas por infração à ordem econômica. Na prática, isso implica na ampliação de apuração dos fatos.
Segundo ANJ, decisão é "histórica"
Em comunicado oficial emitido também nesta quinta (leia a nota completa ao final da matéria), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) classificou a decisão como "histórica". De acordo com o jornalista Marcelo Rech, o aprofundamento das investigações servirá para combater o "abuso de poder ou dependência econômica digital".
"A decisão do Cade é um marco histórico para os produtores de conteúdo jornalístico, porque, pela primeira vez, se investigará a fundo no Brasil o abuso de poder ou dependência econômica digital”, disse Marcelo Rech, presidente-executivo da ANJ.
O Correio entrou em contato com o Google e aguarda retorno. Em caso de resposta, este texto será atualizado.
Confira a nota completa da ANJ
"A ANJ considerou histórica a decisão do Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), nesta quinta-feira (23), em favor da sustentabilidade do jornalismo brasileiro e, portanto, na defesa da democracia e no combate à desinformação.
O Cade aprovou por unanimidade a instauração de um Processo Administrativo Sancionador (PAS) para aprofundar as investigações em relação a um possível ’abuso exploratório de posição dominante’ por parte do Google.
’A decisão do Cade é um marco histórico para os produtores de conteúdo jornalístico, porque, pela primeira vez, se investigará a fundo no Brasil o abuso de poder ou dependência econômica digital’, disse o presidente-executivo da ANJ, o jornalista Marcelo Rech.
A decisão sustenta que os procedimentos do Google incorporaram funcionalidades de inteligência artificial generativa, que sintetizam informações no momento em que o usuário faz suas buscas.
O Cade também propôs uma estrutura analítica específica para a avaliação de condutas dessa natureza em mercados digitais, com ênfase em elementos como dependência estrutural, imposição de condições comerciais, extração de valor e existência de dano concorrencial apreciável.
O caso foi aberto pelo próprio Cade em 2018, arquivado em 2024 e reaberto em 2025, em especial pela atuação e esclarecimentos constantes da ANJ e de outras entidades, entre elas a organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação de Jornalismo Digital (Ajor), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)".

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