
O ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) pediu que o irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), ouça conselhos que, segundo ele, vêm sendo feitos “há tempos”. A declaração foi feita em uma publicação direcionada ao parlamentar nas redes sociais, na manhã desta segunda-feira (27/4).
Na postagem, Carlos compartilha uma reportagem de 2023 sobre o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), na qual o então chefe do Executivo se declarava “totalmente a favor da reforma tributária”.
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Ao resgatar a fala de Zema, hoje pré-candidato à Presidência da República, Carlos critica os impactos da proposta e afirma que investidores demonstram preocupação com aumento de impostos. “Trata-se de mais um verdadeiro cargueiro transatlântico de impostos sobre a cabeça de todos nós”, escreveu o ex-parlamentar, que é pré-candidato ao Senado por Santa Catarina.
Sem citar diretamente o ex-governador mineiro como alvo principal, o vereador contrapõe posições políticas e faz um alerta ao irmão sobre alianças e aconselhamentos. “Apoiar-se em quem recebe milhões e lhe oferece discursos ilusórios só o levará para um caminho mais… difícil”, afirmou.
Em outro trecho, reforça o apelo pessoal: “Ouça ao menos um pouco do que venho lhe dizendo há tempos, e não apenas aqueles que têm outros interesses ao seu redor. É preciso ponderar. Você está mordendo a isca com mais facilidade do que lambari em anzol de mosquito e o peixe vai só engordando malandramente”.
A publicação também traz críticas a atores políticos que, segundo ele, estariam tentando enfraquecer o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Carlos afirma que há movimentações para “enterrá-lo vivo politicamente”, ainda que, segundo ele, isso ocorra de forma disfarçada.
“Diferente daqueles que, além de não apoiarem Jair Bolsonaro, também desejam enterrá-lo vivo politicamente e utilizam perfis de terceiros para cumprir esse objetivo, fingindo ingenuidade diante dos olhos de todos, trago aqui apenas mais um fato, não um ataque", escreveu.
O ex-vereador defende, ainda, a união da direita já no primeiro turno das eleições presidenciais. “Precisamos unir a direita e vencer no primeiro turno. Esses são os fatos”, finalizou.
É preciso deixar muito claro: por onde passo em Santa Catarina e pelo Brasil, investidores e contratados demonstram enorme preocupação com o aumento de impostos trazido pela reforma tributária, que sequer entrou plenamente em vigor. Trata-se de mais um verdadeiro cargueiro… pic.twitter.com/jpBG4WVqEc
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) April 27, 2026
Apoio a Flávio
A postagem ocorre poucos dias após Carlos Bolsonaro intensificar cobranças públicas dentro do PL em favor da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Na semana passada, ele afirmou estar realizando um levantamento de prefeitos, vereadores e lideranças do partido que não têm divulgado apoio ao senador.
Segundo Carlos, a iniciativa busca identificar a falta de engajamento interno e encaminhar um “diagnóstico” à executiva nacional da sigla. Em publicação anterior, classificou como “estarrecedor” o baixo volume de manifestações públicas de apoio ao irmão, mesmo após meses de pré-campanha.
O vereador também incentivou apoiadores a cobrarem posicionamento de lideranças locais, reconhecendo que a estratégia pode gerar desgaste dentro do partido. Ainda assim, afirmou agir por convicção pessoal, mesmo diante de possíveis perdas políticas.
A menção a Romeu Zema ocorre em meio à movimentação de nomes que buscam espaço na disputa presidencial. O ex-governador mineiro tem reiterado a intenção de manter sua candidatura até o fim, recusando convites para compor como vice em outras chapas, incluindo uma eventual aliança com Flávio Bolsonaro.
O episódio também ocorre em meio a disputas internas no PL e a sinais de desgaste no campo bolsonarista. Nos últimos dias, divergências públicas têm exposto cobranças por apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e críticas à condução da articulação política.
No fim de semana, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também se manifestou sobre o cenário, defendendo que o “inimigo” da direita está fora do campo político e alertando que pressões internas e ataques entre aliados podem afastar apoiadores da campanha.

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