
O relator do projeto da dosimetria na Câmara dos Deputados, o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), fez um discurso em plenário nesta quinta-feira (30/4) em defesa da derrubada do veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à proposta aprovada pelo Congresso. Da tribuna, o parlamentar classificou a decisão do Palácio do Planalto como um “erro político grave” e afirmou que manter o veto significaria esvaziar a autoridade do Poder Legislativo.
Ao abrir sua fala, Paulinho agradeceu ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pela indicação para relatar o texto e elogiou a saída construída pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), para retirar da análise os quatro pontos considerados prejudicados por conflito com o texto do projeto de lei (PL) antifacção.
No mérito, porém, subiu o tom ao sustentar que o veto presidencial afronta uma decisão amplamente respaldada pelo Parlamento. Segundo ele, o projeto foi aprovado por 297 votos na Câmara e 47 votos no Senado, o que, em sua avaliação, demonstra que a proposta foi fruto de construção legislativa sólida e não de uma decisão circunstancial.
“O que está em jogo aqui hoje não é apenas um veto, é o respeito ou desrespeito à vontade soberana do Congresso Nacional”, afirmou. “O governo vetou uma decisão amplamente majoritária. Vetou o entendimento do Parlamento. Vetou, na prática, a própria democracia representativa”, completou.
Paulinho também argumentou que a discussão sobre dosimetria da pena ultrapassa disputas ideológicas e toca um princípio constitucional. Para o deputado, o objetivo da proposta é assegurar proporcionalidade na aplicação das punições e evitar distorções no sistema penal.
“Pena justa não é favor, é direito. E quando o Estado exagera na pena, ele deixa de fazer justiça e passa a cometer injustiça”, declarou da tribuna, em uma das passagens mais enfáticas do discurso.
Em outro recado direto ao Executivo, o parlamentar afirmou que o Congresso não pode ser tratado como instância homologatória de decisões do governo. “O Congresso Nacional não é carimbador de decisão do Executivo. O Congresso Nacional não é subordinado a governo nenhum. Nós somos um poder independente”, disse, ao conclamar deputados e senadores a votarem pela derrubada do veto.
Paulinho também transformou a defesa do projeto em uma bandeira institucional do Legislativo e apelou para que o Congresso dê uma resposta política ao Planalto. “Hoje é dia de dar um recado claro: o Congresso Nacional é independente, respeita a Constituição e não se curva”, concluiu, sob aplausos de parlamentares favoráveis à derrubada do veto.

Política
Política
Política
Política