CB. Poder

Moreira Franco: 'Política é a capacidade de dialogar com quem pensa diferente'

O ex-ministro também destacou que o Supremo, apesar de reunir diversos magistrados qualificados, está "passando dos limites" em situações como a da eleição de mandato-tampão no Rio de Janeiro

O ex-ministro e ex-governador do Rio de Janeiro Wellington Moreira Franco afirmou, nesta terça-feira (7/4), que a política exige capacidade de dialogar com quem pensa diferente. Com mais de 50 anos de carreira, ele está em Brasília para lançar o livro Política como destino e descaminhos da democratização e também avaliou o atual estágio da democracia brasileira, citando o “esgarçamento” das relações institucionais e a perda da distinção entre o público e o privado.

"Política é diálogo. E o diálogo não pode ser só com igual, porque não resolve nada. Você tem que buscar ter capacidade de dialogar com quem pensa diferente e ver um equilíbrio", disse em entrevista aos jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Denise Rothenburg, no programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.

Franco destacou que o crime organizado deixou de ser um problema restrito ao Rio de Janeiro e a São Paulo para se tornar uma estrutura econômica presente em todo o país, inclusive no Amazonas. Para ele, a gravidade da situação está na “cumplicidade” do aparato estatal, que permite a infiltração dessas organizações nas instituições, comprometendo a autoridade do Estado e a credibilidade da cidadania.

“Você tem esses grupos que antes eram do Rio de Janeiro e de São Paulo, como Comando Vermelho, Terceiro Comando, etc. Hoje, eles estão organizados no Brasil inteiro, com uma estrutura econômica que a gente vê de vez em quando nas notícias sobre operações. Evidentemente, isso destrói a capacidade do próprio Estado de combatê-los, porque há uma certa cumplicidade para que eles consigam ser tão fortes”, expôs.

O ex-ministro também manifestou preocupação com a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Embora ressalte ter amigos qualificados na Corte, afirmou que a instituição está “passando do limite” ao intervir em questões políticas, como a possível realização de eleições para um mandato-tampão no Rio de Janeiro.

“O Supremo não pode continuar tendo toda essa desenvoltura, com todo o respeito. Tenho até amigos que estão lá e são extremamente qualificados, mas, do ponto de vista coletivo e institucional, está passando do limite. Eles não possuem tantos poderes para se meter em tudo. Esse caso da eleição no Rio de Janeiro, a menos de três meses de uma eleição normal, dentro do calendário eleitoral do país, não tem cabimento”, declarou.

O livro, com mais de mil páginas, será lançado nesta quarta-feira (8) na Casa do ParlaMento, em Brasília. Segundo o autor, a obra faz um balanço das “poucas vitórias e algumas derrotas” de uma geração que lutou contra o regime autoritário na esperança de construir uma democracia sólida e justa no Brasil.

Assista à entrevista na íntegra: 

*Estagiária sob a supervisão de Rafaela Gonçalves 

 

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