A pressão pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master ganhou força no Senado após novos vazamentos de documentos que detalham a movimentação financeira da instituição liquidada pelo Banco Central em novembro passado. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou, em discurso no plenário, que protocolou uma notificação extrajudicial ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), cobrando a abertura imediata da investigação.
Segundo o parlamentar, o requerimento atende a todos os critérios constitucionais e conta com amplo apoio político. De acordo com Girão, o pedido reúne fato determinado, prazo definido e mais de um terço das assinaturas necessárias nas duas Casas do Congresso — 239 deputados e 42 senadores. "Não é favor, é obrigação constitucional", frisou, ao defender que a Mesa Diretora não tem prerrogativa para barrar a instalação da comissão.
A notificação foi apresentada em conjunto com os deputados Carlos Jordy (PL-RJ) e Marcel Van Hattem (Novo-RS), com o objetivo de formalizar que a Presidência do Senado já tinha ciência da demanda.
Girão destacou que a medida busca resolver o impasse "dentro da Casa política", sem a necessidade de acionar outros Poderes, embora a judicialização já esteja em curso.
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Em resposta, Alcolumbre indicou que deve convocar uma reunião de líderes para tratar de representações pendentes, incluindo a iniciativa do Novo. O presidente do Senado afirmou que pretende dar encaminhamento não apenas ao pedido relacionado ao Banco Master, mas também a outras demandas apresentadas por parlamentares no Conselho de Ética.
A cobrança pela CPI se soma a uma articulação iniciada ainda em 2025, quando Girão protocolou o primeiro requerimento com 34 assinaturas — sete a mais que o mínimo exigido. O caso ganhou repercussão após a deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e a posterior liquidação extrajudicial do banco pelo Banco Central, em meio a suspeitas de fraudes estimadas em R$ 12 bilhões.
Pagamentos
Paralelamente à movimentação política, novos documentos obtidos junto à Receita Federal e enviados à CPI do Crime Organizado revelaram que o Banco Master desembolsou ao menos R$ 543 milhões para 91 escritórios de advocacia entre 2022 e 2025. Os valores cresceram de forma expressiva ao longo dos anos, saltando de R$ 40 milhões em 2022 para mais de R$ 262 milhões em 2025, período em que a instituição já enfrentava investigações e restrições operacionais.
Entre os principais beneficiários está o escritório Barci de Moraes, que teria recebido cerca de R$ 80 milhões em 22 meses. Outros escritórios de grande porte também aparecem na lista, com valores superiores a R$ 40 milhões. As bancas afirmam que os pagamentos são compatíveis com os serviços prestados e, em alguns casos, contestam os dados divulgados, alegando sigilo fiscal e inconsistências nas informações vazadas.
Os documentos também apontam pagamentos a figuras políticas e escritórios ligados a ex-integrantes de governos e tribunais superiores, o que ampliou a repercussão do caso em Brasília.
Além disso, relatório do Coaf identificou movimentações consideradas atípicas, incluindo repasses milionários a empresas de comunicação, com indícios de circulação rápida de recursos entre companhias do mesmo grupo econômico.
Diante do avanço das revelações, seis senadores recorreram ao Supremo Tribunal Federal, no fim de março, com um mandado de segurança para obrigar a instalação da CPI. O grupo argumenta que a demora pode comprometer a coleta de provas e prejudicar as investigações.
A expectativa agora é de que o tema volte ao centro do debate político nas próximas semanas, em meio à pressão crescente por esclarecimentos sobre um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.
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