Investigadores da Polícia Federal avançaram, nos últimos dias, nas tratativas de delação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O executivo, que está no centro das acusações de fraudes envolvendo o Banco de Brasília (BRB), apresentou, em conversas preliminares, informações sobre autoridades do alto escalão dos Três Poderes, que teriam alguma participação no esquema. A promessa é de que o depoimento dele pode dar um raio X da associação criminosa montada para operacionalizar o esquema fraudulento, o pagamento de propinas e a lavagem de dinheiro. A colaboração pode frustrar os objetivos da defesa do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que também tenta um acordo. A intenção do ex-chefe do banco brasiliense de delatar foi comunicada formalmente, nessa terça-feira, ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça.
A previsão é de que o dono do Master consiga convencer os investigadores da Polícia Federal a aceitar um acordo de delação até o fim desta semana. Em seguida, o caso seria enviado ao STF, já com as primeiras informações e citação de provas documentais que podem ser apresentadas. Em seguida, o relator do inquérito na Corte, ministro André Mendonça, pedirá avaliação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o conteúdo.
Vorcaro foi informado pelos advogados sobre o risco de obter uma pena elevada caso não colabore, assim como a possibilidade de ser alvo de apreensões do seu patrimônio que podem chegar a bilhões de reais — medida que ele espera evitar com a proposta de colaborar com as diligências.
O dono do Master estaria disposto a ressarcir os cofres públicos, em um plano de pagamentos a ser definido em conjunto com as autoridades e apresentado ao Supremo.
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O aval dos investigadores pode ocorrer mesmo no feriado de 1º de Maio, de acordo com fontes ouvidas pelo Correio, ligadas ao caso. As tratativas teriam sido aceleradas nos últimos dias em razão da intenção de Paulo Henrique Costa de também delatar o que sabe sobre o esquema. Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e tem acesso mais fácil aos agentes.
Para fechar o acordo, ele não pode ocultar bens nem proteger envolvidos nas fraudes. As negociações tiveram uma breve pausa na semana passada, quando ele passou mal e foi levado para exames no Hospital DF Star, na capital federal. No entanto, foram retomadas logo em seguida. A visita ao hospital durou apenas uma tarde, mas fez com que ele fosse mantido em repouso ao longo de todo o dia na quinta-feira.
Investigadores procurados pela reportagem, alertam, porém, que a proposta precisa ser sólida para ser aprovada. E não precisa convencer somente a PF, mas também Mendonça e a PGR.
Transferência
A avaliação de Vorcaro é de que as declarações dele, assim como documentos, movimentações financeiras e mensagens que serão apresentadas, podem esvaziar às de Costa. No entanto, o ex-chefe do BRB já estaria preparando a documentação há semanas, o que, se confirmado, o coloca estrategicamente à frente do dono do Master.
Na petição enviada ao Supremo, nessa terça-feira, os advogados de Costa, Eugênio Aragão e Davi Tangerino, afirmam que ele pretende contribuir com a Justiça, "possivelmente por meio de colaboração premiada".
Além disso, pedem que o cliente seja transferido do Complexo Penitenciário da Papuda, onde ele está atualmente. "Pesa dizer que, sem qualquer juízo de valor sobre as condições carcerárias do local onde o Requerente cumpre a medida cautelar, a arquitetura prisional, de um lado, e a necessidade de sigilo inviolável das conversas conduzidas entre o Requerente e seus advogados, de outro, tornam impossível os três vetores acima: não se pode discutir eventuais fatos delitivos de forma eficiente; não se pode manusear fontes de prova; não se pode, assim, atingir a qualidade de informação necessária para a voluntariedade".
A transferência da Papuda deixaria Costa mais próximo das autoridades com as quais pretende colaborar — posição que Vorcaro já ocupa, pois está na unidade da corporação no DF. Ao contrário dos envolvidos, Mendonça tem indicado, nos bastidores, não ter pressa, mas sim rigor com as apurações.
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